A agência de notação financeira Standard & Poor’s (S&P) anunciou que mantém o rating da dívida de Portugal, mas melhorou a perspetiva de estável para positiva. Esta mudança é um sinal encorajador, pois frequentemente precede uma eventual subida do rating a longo prazo. Na sua nota de imprensa, a S&P confirma as notações de longo e curto prazo de A+/A-1 para o soberano português.
Entre 2026 e 2029, a S&P prevê que o crescimento económico de Portugal se situe ligeiramente abaixo dos 2%, sustentado por uma sólida situação financeira das famílias e empresas, além de transferências da União Europeia (UE). A agência destaca ainda a importância da imigração líquida significativa e de uma estrutura de custos competitiva, que inclui preços de energia mais baixos em comparação com outros países da UE.
No entanto, a S&P alerta que políticas migratórias mais restritivas podem afetar a oferta de mão-de-obra e, consequentemente, o crescimento económico a longo prazo. Para 2026, a agência estima um crescimento da economia nacional de 2,2%, superando os 1,9% alcançados no ano anterior, impulsionado pelos últimos efeitos da chamada “bazuca” financeira. Entre 2027 e 2029, o crescimento deve ser mais moderado, com uma média de 1,7%, a menos que surjam perturbações significativas no comércio ou na oferta de mão-de-obra.
A S&P espera que as políticas do governo continuem a focar numa gestão orçamental sólida, na criação de emprego e no fomento do investimento, especialmente no setor dos serviços, que está a crescer rapidamente. A agência sublinha que um crescimento económico resiliente e uma estratégia orçamental prudente contribuirão para a redução da dívida pública em relação ao PIB. A S&P acredita que a dívida pública poderá descer para menos de 80% do PIB até 2027 e prevê a manutenção de um superávite de 0,1% do PIB este ano.
Os custos associados à reconstrução após as recentes tempestades são considerados pela S&P como localizados e temporários. A agência estima que o impacto económico direto será de cerca de 4 mil milhões de euros, ou aproximadamente 1% do PIB, concentrando-se em habitação, infraestruturas e instalações industriais. Os apoios à reconstrução devem acrescentar cerca de 0,3% do PIB às despesas públicas.
A S&P também nota que a economia portuguesa está relativamente protegida do impacto das tarifas impostas pela administração Trump, uma vez que os EUA representam apenas 7% das exportações portuguesas. Os principais produtos afetados incluem farmacêuticos, peças automóveis, têxteis e vinho, que são comercializados principalmente na Europa. Os riscos indiretos podem advir de um crescimento mais fraco em economias industrializadas, como a Alemanha.
Apesar da instabilidade política, a S&P não antecipa uma crise, mesmo que o orçamento seja chumbado, pois é possível manter os duodécimos ao longo de 2027. No ano passado, a S&P já tinha elevado a notação da dívida soberana de Portugal em duas ocasiões, primeiro de ‘A-‘ para ‘A’ e depois para ‘A+’.
Leia também: O impacto das políticas económicas na dívida pública.
rating de Portugal rating de Portugal rating de Portugal rating de Portugal rating de Portugal Nota: análise relacionada com rating de Portugal.
Leia também: Steve Schwarzman, CEO da Blackstone, recebeu 1,2 mil milhões
Fonte: ECO





