A guerra na Ucrânia, que já dura mais de 1.460 dias, trouxe consigo uma tragédia humana inegável, com centenas de milhares de mortos. O impacto da destruição provocada pelos ataques russos exige um investimento colossal de 500 mil milhões de euros ao longo da próxima década para reparar as infraestruturas de energia e habitação. Porém, sem um acordo de paz à vista, o cenário continua a ser sombrio e as perdas humanas não param de aumentar.
A Europa, despertada pela agressão de Putin, reconheceu a necessidade de reforçar a sua defesa. No entanto, a realidade é que anos de paz resultaram num subinvestimento crónico nas forças armadas. A indústria de defesa europeia encontra-se mal preparada para responder às necessidades imediatas do continente, e mesmo os pacotes financeiros destinados a reforçar a defesa não conseguem resolver os problemas de forma eficaz.
A dependência da Europa em relação a aliados como a NATO e os EUA para garantir a segurança das suas fronteiras é uma realidade difícil de contornar. Programas como o SAFE, que visa reequipar as forças armadas com material militar produzido na Europa, revelam a fragilidade da situação. A possibilidade de os Estados europeus adquirirem equipamento fora da região, caso não haja oferta disponível, poderá resultar em compras que ultrapassam os 10 mil milhões de euros, principalmente nos EUA. Esta situação é irónica, especialmente numa altura em que as relações transatlânticas estão tensas.
Além disso, o pacote de 90 mil milhões de euros de apoio à Ucrânia, que inclui 60 mil milhões para ajuda militar, é um exemplo claro da desunião europeia. A dificuldade em obter consensos entre os Estados-Membros é evidente, como demonstrado pelo veto da Hungria e da Eslováquia ao 20.º pacote de sanções à Rússia.
Outro exemplo de desunião é o projeto do caça europeu de nova geração, o “Future Combat Air System (FCAS)”. Tom Enders, ex-CEO da Airbus, considera que a decisão da Alemanha de avançar com a França na construção deste caça foi um “erro estratégico”. O chanceler alemão, Friedrich Merz, já afirmou que o FCAS não serve os interesses das Forças Armadas alemãs, o que levanta questões sobre o futuro deste projeto de 100 mil milhões de euros.
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, chegou à Ucrânia na semana em que se assinala o quarto ano de guerra, prometendo que o empréstimo acordado pelos líderes europeus será cumprido. No entanto, as opções para resolver a situação ainda não foram reveladas, e a Comissão terá de encontrar uma solução para este complicado cenário.
A guerra na Ucrânia continua a ser um desafio monumental para a Europa, que enfrenta não só a necessidade de apoio militar, mas também a urgência de unir esforços para garantir a sua segurança e estabilidade. Leia também: O impacto económico da guerra na Ucrânia.
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Fonte: ECO





