O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou preocupação sobre a situação no Médio Oriente durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança. Guterres lamentou que uma oportunidade para a diplomacia tenha sido “desperdiçada”, referindo-se às negociações indiretas entre os Estados Unidos e o Irão, mediadas por Omã. Este processo diplomático ocorreu em paralelo com o aumento da presença militar dos EUA na região, culminando em ataques contra o Irão.
Guterres não confirmou as notícias sobre a morte do Líder Supremo do Irão, Ali Khamenei, mas alertou que a ação militar pode desencadear uma série de eventos incontroláveis na região, já considerada a mais instável do mundo. “A situação é muito fluida”, afirmou, sublinhando que existem muitos relatos não verificados sobre os acontecimentos.
Os ataques recentes resultaram em um número significativo de vítimas civis. Segundo a imprensa iraniana, um ataque aéreo atingiu uma escola feminina em Minab, causando pelo menos 85 mortes e ferimentos em muitos outros. Além disso, um ataque em Teerão também resultou em mortes. Por outro lado, fontes israelitas reportaram que os ataques do Irão contra Israel resultaram em 89 feridos.
Guterres condenou tanto os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão como as retaliações iranianas, enfatizando que a escalada militar está a criar uma situação cada vez mais volátil e imprevisível. O secretário-geral reiterou o seu apelo por um cessar-fogo imediato, destacando o enorme perigo que a intervenção armada representa para a região e para o mundo.
Durante a reunião, vários representantes sublinharam que a intervenção militar da dupla EUA-Israel pode ter repercussões globais. A Grécia, por exemplo, alertou que a tensão no Médio Oriente poderá afetar o já instável contexto mundial. Analistas preveem um aumento significativo no preço do petróleo quando os mercados reabrirem, especialmente se o Irão decidir fechar o Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o comércio de petróleo.
Este aumento do preço do petróleo poderá beneficiar a Rússia, que encontrará um “balão de oxigénio” para financiar a sua guerra na Ucrânia. Contudo, o Irão foi considerado responsável pela escalada da tensão. O representante do Panamá destacou que o Irão não demonstrou interesse em utilizar as negociações como um meio eficaz para reduzir a tensão no Médio Oriente. Assim, o Conselho de Segurança parece convencido de que nenhuma das partes envolvidas nas conversações sobre a estratégia nuclear iraniana estava a agir de boa fé, utilizando as negociações apenas para ganhar tempo.
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Médio Oriente Nota: análise relacionada com Médio Oriente.
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Fonte: Sapo





