A recente discussão sobre o deslaçamento da sociedade trouxe à tona a desconexão entre a realidade dos mercados e a geopolítica. Carlos Costa, ex-governador do Banco de Portugal, Filipa Reis, André Caravela Machado e Pedro Carneiro partilharam as suas visões sobre este fenómeno. A conversa foi moderada pelo diretor do Jornal Económico, André Macedo, que levantou a questão da dissintonia que se vive atualmente.
Carlos Costa iniciou a sua intervenção sublinhando que o deslaçamento da sociedade é um tema curioso e relevante. Segundo ele, muitas pessoas sentem que a sua sorte individual não está interligada com a sorte da comunidade em que estão inseridas, seja a nível político ou social. Este sentimento de desconexão pode ser atribuído a várias causas, incluindo a evolução tecnológica.
A tecnologia, segundo Costa, tem um papel fundamental neste deslaçamento da sociedade. Ele argumenta que as inovações tecnológicas podem levar as pessoas a acreditar que têm a capacidade de se libertar da sua condição de cidadãos de um país ou de uma comunidade. Essa sensação de autonomia pode, por sua vez, criar uma distância emocional e social em relação ao todo, fazendo com que muitos se sintam menos responsáveis pela preservação do bem-estar coletivo.
Filipa Reis e André Caravela Machado também abordaram a questão, destacando que o deslaçamento da sociedade não é um fenómeno isolado, mas sim uma consequência de várias dinâmicas sociais e económicas. A falta de confiança nas instituições e a crescente desigualdade são fatores que agravam esta desconexão. As suas intervenções reforçaram a ideia de que, para superar o deslaçamento da sociedade, é crucial promover um diálogo aberto e inclusivo entre todos os setores da sociedade.
Pedro Carneiro, por sua vez, fez um apelo à reflexão sobre como as políticas públicas podem ser ajustadas para mitigar os efeitos do deslaçamento. Ele defendeu que é necessário criar um ambiente em que as pessoas sintam que a sua sorte está, de facto, interligada com a sorte da comunidade. Para isso, é fundamental fomentar a participação cívica e a responsabilidade social.
A conversa revelou que o deslaçamento da sociedade é um desafio complexo que exige uma abordagem multidimensional. É essencial que todos os intervenientes, desde o governo até à sociedade civil, trabalhem juntos para restaurar a confiança e a coesão social.
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Fonte: Sapo





