Dólar dispara e bolsas caem após ataques a Teerão

Os mercados financeiros enfrentam uma turbulência significativa esta segunda-feira, após os ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, que resultaram na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei. O dólar norte-americano está a registar a sua maior valorização intradiária desde o verão passado, enquanto as bolsas europeias estão a afundar.

O índice do dólar, que mede a força da moeda em relação a um cabaz de seis outras divisas, subiu 0,91%, refletindo uma valorização que não se via desde 30 de julho de 2025. O par EUR/USD caiu 0,94%, fixando-se em 1,1702, o que representa o valor mais baixo desde 21 de janeiro. Este movimento indica um fluxo de capital a sair da Europa em direção ao dólar, considerado um ativo de refúgio seguro em tempos de incerteza.

A libra esterlina também está sob pressão, a desvalorizar 0,7% para 1,3389 dólares, atingindo o nível mais baixo desde dezembro. O iene japonês, após uma valorização inicial, perdeu 0,95% e o franco suíço chegou a um máximo de 11 anos face ao euro, com o Banco Nacional Suíço a mostrar-se disposto a intervir nos mercados cambiais.

O impacto nos mercados financeiros é evidente, especialmente no setor do petróleo. O preço do Brent, referência para o petróleo europeu, subiu 8,7% para 79,2 dólares, após ter disparado mais de 13%. Esta subida é impulsionada pelas tensões no Estreito de Ormuz, onde o tráfego marítimo foi interrompido após o Irão retaliar os ataques, atacando petroleiros norte-americanos e britânicos.

Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe, alerta que a continuidade do conflito poderá levar os preços do petróleo a aproximarem-se dos 100 dólares por barril. A volatilidade nos mercados financeiros é uma resposta comum a episódios de tensão geopolítica, mas também pode criar oportunidades para investidores com uma visão de longo prazo.

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Na Europa, o índice Stoxx Europe 600 caiu 1,87%, com as empresas do setor do consumo cíclico e financeiro a registarem perdas médias de 3,74% e 3,01%, respetivamente. Contudo, os setores de energia e utilities beneficiaram da subida dos preços do petróleo. João Queiroz, responsável de trading do Banco Carregosa, sugere que os setores defensivos, como saúde e imobiliário, podem ser mais resilientes em tempos de incerteza.

Nos Estados Unidos, os futuros dos principais índices acionistas também estão a negociar em queda, com o S&P 500 e o Dow Jones a descerem 1,05% e 1,04%, respetivamente. O ouro, tradicionalmente visto como um refúgio seguro, subiu 2,1% para 5.389 dólares por onça, embora os analistas recomendem cautela, dado que a compra de ouro em momentos de escalada geopolítica nem sempre resulta em lucros.

A incerteza sobre a duração do conflito no Médio Oriente continua a pesar sobre os mercados financeiros. A morte de Khamenei gera uma corrida à sucessão no Irão, aumentando a imprevisibilidade da situação. Os analistas aconselham os investidores a manterem a calma e a focarem-se em estratégias defensivas, priorizando empresas com balanços sólidos e capacidade de adaptação a cenários voláteis.

Leia também: O impacto das tensões geopolíticas nos mercados financeiros.

Fonte: ECO

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