A Galp, uma das principais petrolíferas portuguesas, anunciou que irá desviar a rota de alguns dos seus petroleiros devido à crescente tensão no Médio Oriente. Este desvio, que implica uma passagem pelo Cabo da Boa Esperança, surge como resposta às incertezas geopolíticas que envolvem o estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo.
A co-CEO da Galp, Maria João Carioca, revelou que a empresa começará a enviar parte do crude negociado por si através do Cabo da Boa Esperança, uma decisão que poderá aumentar os custos e prolongar o tempo de entrega em cerca de 15 dias. “Parte do nosso equity crude vamos começar a desviá-lo do estreito de Ormuz e estamos a enviar através do Cabo da Boa Esperança”, afirmou Carioca.
Apesar de a Galp não depender diretamente da produção no estreito de Ormuz, a empresa está atenta à pressão que a situação atual pode exercer sobre o mercado. O estreito é responsável por cerca de 20% do petróleo e gás liquefeito transportados por mar, sendo crucial para a energia global. A Galp, que atualmente produz apenas no Brasil, vê-se assim obrigada a adaptar-se a um cenário em constante mudança.
Os preços do petróleo já refletem esta instabilidade, com o barril a subir quase 7% para mais de 77 dólares. Além disso, os contratos de gás para entrega na Europa registaram um aumento superior a 35%. A Galp, embora menos exposta a flutuações de preços do que outras petrolíferas, está a monitorizar de perto a situação. “As equipas estão a acompanhar a pressão naquela zona e já tínhamos uma série de opções operacionais preparadas”, sublinhou Carioca.
Os analistas do banco Berenberg destacam que a Galp, juntamente com a Repsol e a OMV, é uma das menos expostas a variações nos preços do petróleo. No entanto, a empresa não pode ignorar as consequências de um aumento nos custos de transporte e seguros, que poderão afetar a sua operação a curto e médio prazo.
A Galp mantém um balanço sólido, mas a incerteza no contexto macroeconómico pode trazer desafios adicionais. A empresa está a trabalhar em cenários que permitam mitigar os impactos da instabilidade no Médio Oriente. “Calma, muita análise e muito trabalho operacional são essenciais para encontrar alternativas no médio prazo”, concluiu Carioca.
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Fonte: Sapo





