O PSI, o principal índice da bolsa portuguesa, teve um desempenho notável em fevereiro de 2026, com um crescimento de 7,1%, encerrando o mês nos 9.276,1 pontos. Este resultado contrasta com a evolução mais moderada dos mercados internacionais, evidenciando a resiliência do mercado de ações em Portugal.
Em comparação, o índice global MSCI World avançou apenas 0,6% no mesmo período, destacando ainda mais a força do PSI. Desde o início do ano, o índice português acumula uma valorização de 12,3%, refletindo uma tendência de crescimento consistente, apesar de uma ligeira interrupção na segunda quinzena de fevereiro devido ao anúncio de novas tarifas comerciais pelos EUA que afetaram a Europa. Mesmo assim, o PSI superou amplamente o MSCI World, que registou um aumento de apenas 2,9% em 2026.
O mês de fevereiro foi marcado por um forte domínio de ganhos, com 15 das empresas cotadas no PSI a registarem valorizações. A NOS destacou-se, liderando com um ganho de 17,4%, seguida pela Mota-Engil com 16,8%, Sonae SGPS com 13,8%, REN com 11,9% e Jerónimo Martins com 11,8%. Outras empresas que também tiveram desempenhos significativos foram Galp (8,9%), Navigator (7,6%) e EDP (4,6%). A única empresa que registou uma desvalorização foi o BCP, com uma queda de 2,5%.
A Maxyield alertou para a elevada volatilidade em títulos como Teixeira Duarte, Mota-Engil e CTT. O PSI conseguiu ultrapassar a barreira psicológica dos 9.000 pontos, que agora serve como um novo nível de suporte técnico. Este ciclo de expansão do índice já dura seis anos, tendo resistido a um bear market global em 2022 e a outro observado nos EUA em abril de 2025.
No acumulado do ano, a dispersão entre as empresas é significativa. A NOS lidera com uma valorização de 28,3%, seguida pela Sonae com 25% e Galp com 24,5%. Por outro lado, as maiores quebras incluem Teixeira Duarte (-20,1%) e CTT (-4%). O PER (preço/lucro) do PSI tem vindo a aumentar, duplicando nos últimos 12 meses, o que levanta preocupações sobre um possível sobreaquecimento do mercado.
O forte desempenho do PSI deve-se, em grande parte, ao aumento da liquidez na Euronext Lisboa, onde o valor médio diário transacionado subiu de 186,8 milhões de euros em janeiro para 224,8 milhões de euros em fevereiro, um aumento de 20,3%. Esta liquidez foi impulsionada pela maior exposição de fundos nacionais e internacionais, além de investidores não residentes atraídos pela valorização e pelas perspetivas de dividendos.
O PSI Geral, que inclui o PSI e 15 small caps do segundo mercado, também teve um bom desempenho, avançando 6,2% em fevereiro. Nos mercados internacionais, o mercado europeu cresceu 3,7%, embora com sinais de desaceleração, enquanto os índices norte-americanos apresentaram resultados negativos.
Em suma, fevereiro de 2026 consolidou o PSI como um dos índices com melhor desempenho a nível global, sustentado por ganhos generalizados e uma maior liquidez. No entanto, os níveis elevados de valorização e do PER sugerem que os investidores devem proceder com cautela quanto à sustentabilidade deste ritmo. Leia também: O que esperar do mercado em março de 2026.
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Fonte: Sapo





