China e Índia aumentam compras de petróleo russo em crise

A China e a Índia estão a intensificar as suas compras de petróleo russo, impulsionadas pela crescente instabilidade no Médio Oriente. Estes dois países, que ocupam as posições de maior e terceira maior importador de petróleo a nível global, estão a procurar diversificar as suas fontes de abastecimento, especialmente com o recente encerramento do estreito de Ormuz, uma via crucial para o transporte de petróleo.

A China, reconhecida como o maior comprador de petróleo e gás do mundo, depende significativamente do Irão, que representa cerca de 13% das suas importações de crude. No entanto, a situação tornou-se mais complicada, uma vez que um terço do consumo de petróleo da China e um quarto do seu gás passam pelo estreito de Ormuz, que foi efetivamente bloqueado pela Guarda Revolucionária Iraniana. Este cenário representa um desafio para os esforços da China em se tornar mais independente energeticamente, tendo o país investido fortemente em eletrificação nos últimos anos.

Analistas acreditam que a China irá aprofundar os seus laços comerciais com a Rússia, especialmente com o fecho das rotas do Médio Oriente. Neil Beveridge, da Bernstein, comentou que “aprofundar laços energéticos com a Rússia será um dos grandes resultados disto, tanto no crude como no gás”. Pequim já anunciou que tomará “as medidas necessárias para garantir a sua segurança energética”, pedindo o fim das operações militares na região.

A China tem uma longa história de compras de crude iraniano, frequentemente contornando sanções dos EUA ao rotular o petróleo como proveniente da Malásia. Neste momento, as preocupações sobre as entregas de petróleo para os meses de março e abril são mínimas, uma vez que as refinarias chinesas, conhecidas como “bules de chá”, têm grandes quantidades de petróleo russo e iraniano em stock. Em fevereiro, as compras de petróleo russo pela China atingiram um recorde pelo terceiro mês consecutivo, com preços entre 8 a 9 dólares por barril.

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A Índia, por sua vez, está a responder à situação no Médio Oriente ao procurar fontes alternativas de petróleo. O país, que obtém cerca de 40% do seu petróleo do Golfo Pérsico, também se prepara para receber mais de 9 milhões de barris de petróleo russo nas próximas semanas. O governo indiano confirmou que está a diversificar as suas fontes de abastecimento, especialmente após uma queda nas compras à Rússia em janeiro, que se situaram em 1,1 milhões de barris por dia, o nível mais baixo desde novembro de 2022.

Contudo, em fevereiro, as compras de petróleo russo pela Índia aumentaram para 30% do consumo total. A Rússia manifestou a sua disposição para cobrir 40% das necessidades de crude da Índia, o que poderá ser crucial para o país, que enfrenta uma pressão crescente para encontrar alternativas ao petróleo do Médio Oriente.

A China, com reservas entre 1,1 mil milhões e 1,4 mil milhões de barris, tem capacidade para suportar uma subida dos preços no mercado internacional. No entanto, a questão que se coloca é se Pequim irá utilizar as suas reservas estratégicas para mitigar essa subida. Além disso, a China pode também contar com o petróleo russo e iraniano que já está em trânsito.

O desafio para ambos os países será reduzir a dependência do Médio Oriente, sem comprometer as relações com os seus aliados na região. “A China precisa de se preparar mais”, afirmou Ye Lin da Rystad, enquanto Cui Jingbo da Duke Kunshan University destacou que o governo chinês já previa a possibilidade de um conflito regional no Médio Oriente, o que justifica os seus esforços de eletrificação e descarbonização.

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Fonte: Sapo

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