Durão Barroso, ex-primeiro-ministro de Portugal e antigo presidente da Comissão Europeia, expressou a sua opinião sobre a recente posição de Espanha em relação ao conflito no Irão. Em entrevista à RTP, Barroso afirmou que, embora não tenha sido surpreendido com a guerra, ficou desapontado com a decisão de Madrid. “Do ponto de vista espanhol, acho que é um erro. Alienou a ligação com os EUA, sendo Espanha membro da NATO”, afirmou.
Barroso sublinhou que a posição de Espanha pode ter repercussões negativas, tanto para o país como para a sua relação com o mundo árabe. “Conseguiu pôr contra ele todo o mundo árabe. Para os americanos, um aliado como Espanha não os apoiou num momento importante”, acrescentou. Esta análise levanta questões sobre a estratégia de política externa de Espanha e o seu impacto nas alianças internacionais.
Pedro Sánchez, o presidente do governo espanhol, defendeu a sua posição, afirmando que ela é consistente com a abordagem de Espanha em conflitos anteriores, como na Ucrânia e em Gaza. “Não à violação do Direito Internacional que nos protege a todos. Não à resolução de conflitos com bombas. Não à guerra”, disse Sánchez, referindo-se ao ataque ao Iraque em 2003.
Barroso também comentou a importância de Portugal neste contexto, destacando a relevância da base das Lajes. “Hoje em dia, os americanos já não fariam um acordo daqueles. É um acordo claro, a base das Lajes é portuguesa e os Estados Unidos podem utilizá-la de acordo com certas condições”, afirmou. Esta declaração reforça a posição de Portugal como um aliado estratégico, especialmente em tempos de crise.
O ex-presidente da Comissão Europeia alertou ainda para a necessidade de a União Europeia deixar de ser ingénua nas suas abordagens. “Se formos a falar de Direito Internacional, quem começou por violar o direito internacional foi o Irão. Os americanos e os israelitas estão também a atuar fora do direito internacional”, disse Barroso. Essa afirmação destaca a complexidade do cenário geopolítico atual.
Por fim, Barroso enfatizou que a Europa não pode ser a única a adotar uma postura pacifista num mundo onde outros actores têm uma abordagem mais agressiva. “Temos de assumir geopoliticamente que não somos mais um adolescente geopolítico”, concluiu. Esta reflexão sobre a posição de Espanha e o papel da Europa no contexto global é crucial para entender as dinâmicas atuais.
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Fonte: ECO





