Um novo estudo da KPMG, intitulado “Global Tech Report 2026”, revela que 88% das empresas a nível global já investem em Agentes de IA, sistemas que executam tarefas de forma autónoma. No entanto, o retorno financeiro deste investimento permanece uma incógnita, com apenas 24% das organizações a conseguirem demonstrar um retorno consistente em múltiplos casos de uso. Este cenário levanta questões sobre a eficácia das métricas tradicionais de avaliação de investimentos em Inteligência Artificial.
O relatório destaca que, apesar de 50% das empresas afirmarem que alcançarão a maturidade tecnológica até ao final do ano, apenas 11% se encontram realmente nesse nível. Este desfasamento entre a ambição e a realidade é preocupante, especialmente num contexto onde a transformação digital é cada vez mais vista como um fator crítico de competitividade.
Um dos principais obstáculos identificados no estudo é a chamada “dívida técnica”. Cerca de 63% das empresas reconhecem que os custos associados à correção de sistemas obsoletos estão a impedir novos investimentos. Além disso, 53% dos executivos afirmam não ter o capital humano necessário para atingir as metas estabelecidas. Rui Gonçalves, Partner da KPMG em Portugal, alerta que “não se trata apenas de investir em novas ferramentas, mas de garantir bases estruturadas, como dados e talento, para que a tecnologia possa ser escalada de forma sustentável”.
Embora 74% das empresas reconheçam que a Inteligência Artificial já está a criar valor, a falta de confiança nas métricas de avaliação é evidente. A Deloitte aponta que 55% dos executivos têm dificuldades em comunicar o valor dos projetos de IA aos acionistas, o que pode comprometer futuros investimentos. A transição para métricas que considerem o “valor de decisão” e a “resiliência” é, portanto, essencial.
O estudo também identifica quatro pilares críticos que estão a estrangular a maturidade digital das empresas. O primeiro é o paradoxo da Inteligência Artificial, onde a implementação de Agentes de IA é vista como uma solução, mas que traz novos desafios. O segundo pilar é a dívida técnica, que continua a ser um entrave à inovação. O terceiro é a escassez de talento, com mais de metade das empresas a admitir que as competências da sua força de trabalho não são suficientes para executar os seus planos estratégicos.
Por último, o contexto em Portugal apresenta riscos específicos. As empresas portuguesas, muitas vezes de menor dimensão, têm menos margem para errar nos investimentos em IA. A falta de bases sólidas de dados pode impedir que as PME aproveitem a automação para resolver problemas históricos de produtividade. A KPMG alerta que a pressa em ganhar mercado pode levar as empresas a sacrificar a segurança e a normalização de dados, aumentando o risco operacional a médio prazo.
Em resumo, o estudo da KPMG serve como um aviso para o mercado: sem uma governança sólida, a aceleração da Inteligência Artificial pode agravar riscos em vez de aumentar a produtividade. As empresas que conseguirem escalar com disciplina terão uma vantagem competitiva significativa, enquanto aquelas que ficarem presas a sistemas legados poderão enfrentar dificuldades.
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Fonte: Sapo





