A operadora Nos ainda enfrenta dificuldades na recuperação da sua rede fixa, com cerca de 5 mil clientes sem serviço, devido aos estragos causados pelas tempestades que afetaram Portugal desde o final de janeiro. Desses, aproximadamente 3 mil continuam sem energia, o que complica ainda mais a situação. Miguel Almeida, CEO da Nos, revelou que a totalidade da rede fixa poderá demorar “semanas” a ser reposta, uma vez que muitos postes foram derrubados nas áreas mais afetadas.
Durante uma conferência de imprensa, Almeida descreveu a situação como sem precedentes, afirmando que, ao longo dos seus 26 anos de experiência no setor, nunca tinha testemunhado um evento desta magnitude. O CEO garantiu que a operadora está a mobilizar todos os recursos disponíveis, tanto nacionais como internacionais, para a recuperação das redes. “A rede móvel já está totalmente recuperada, mas a rede fixa ainda enfrenta desafios”, explicou.
A recuperação da rede fixa é dificultada pela necessidade de reposição de postes, que pertencem a outros proprietários. “Estamos dependentes da reposição dessa infraestrutura passiva, e isso torna difícil chegar a todos os clientes enquanto os postes não forem reinstalados”, lamentou Almeida. Ele prevê que a recuperação total poderá levar ainda algumas semanas.
Miguel Almeida também abordou a discussão sobre a possibilidade de enterrar cabos, considerando-a “demagógica e populista”. O CEO defendeu que a Nos já alcançou 94% de cobertura em fibra ótica, uma tecnologia avançada que, segundo ele, é superior à média de países como a Alemanha, onde apenas 30-35% da população tem acesso a fibra.
Além disso, Almeida destacou que, embora a ligação de estações móveis por microondas possa aumentar a resiliência da rede, as altas taxas cobradas pelo Governo e pela Anacom dificultam este investimento. “As taxas tornam o investimento em microondas praticamente impossível”, lamentou.
A situação da rede de comunicações de emergência SIRESP também foi abordada, com Almeida a esclarecer que a Nos não é a única fornecedora e que não tem responsabilidade sobre as falhas ocorridas. “A responsabilidade é do SIRESP”, afirmou, enfatizando que a empresa fornece apenas conectividade fixa e redundância via satélite.
A imagem negativa que a Nos enfrenta devido a estas falhas preocupa o CEO, que expressou o seu desconforto com a situação. “Não estou confortável porque há uma perceção errada sobre a nossa responsabilidade no desenho da solução”, concluiu.
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rede fixa Nota: análise relacionada com rede fixa.
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Fonte: ECO





