A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, alertou em Banguecoque que a economia mundial está a enfrentar novos desafios devido ao recente conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irão. Durante uma conferência sobre o futuro da Ásia, Georgieva sublinhou que “vivemos num mundo onde os choques são mais frequentes e inesperados”, referindo-se à crescente incerteza que caracteriza o cenário económico global.
A guerra, que começou com uma ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, rapidamente se alastrou, levando Teerão a responder com ataques a aliados dos dois países na região. Esta escalada de tensões está a provocar uma subida acentuada dos preços do petróleo e a causar instabilidade nos mercados financeiros. “Os mercados têm evoluído como uma montanha-russa nos últimos dias”, comentou Georgieva, destacando que o conflito impõe novas exigências aos decisores políticos em todo o mundo.
A diretora do FMI enfatizou que a prolongação deste conflito poderá afetar significativamente os preços globais da energia, o sentimento dos mercados e a inflação. “Quanto mais cedo esta calamidade terminar, melhor será para o mundo inteiro”, afirmou, reconhecendo que a economia mundial pode estar a entrar num período prolongado de instabilidade.
A região da Ásia é a mais afetada pela crise no Estreito de Ormuz, uma rota estratégica que representa cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito (GNL) comercializados globalmente. Dados da Kpler e da Administração de Informação Energética dos Estados Unidos (EIA) indicam que entre 84% e 90% do petróleo bruto que transita por Ormuz tem como destino a Ásia, onde 83% do GNL proveniente desta rota é igualmente enviado. Os principais importadores incluem países como China, Índia, Coreia do Sul e Japão.
Apesar do contexto de incerteza energética, a Ásia continua a ser um motor vital da economia mundial, gerando dois terços do crescimento global e concentrando cerca de 40% do comércio internacional. “Não é possível falar do futuro económico global sem mencionar a Ásia”, sublinhou Georgieva. Contudo, ela também alertou que o continente enfrenta desafios significativos para manter essa posição de liderança, como a necessidade de aumentar a produtividade através do desenvolvimento da inteligência artificial (IA).
Georgieva destacou que países como Singapura estão na vanguarda da preparação para a adoção da IA, enquanto a China e a Coreia do Sul se destacam no desenvolvimento e implementação dessa tecnologia. A Índia está a promover iniciativas para democratizar o acesso à IA, e países como Indonésia, Malásia e Tailândia estão a avançar na aplicação desta tecnologia nos seus setores comerciais.
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Fonte: ECO





