O crescimento da economia portuguesa deverá abrandar no primeiro trimestre de 2026, impactado por fenómenos climáticos extremos e tensões geopolíticas no Médio Oriente. Esta é a conclusão do barómetro CIP/ISEG, divulgado esta sexta-feira. As projeções indicam um desempenho mais modesto da economia, prevendo-se um crescimento do PIB entre 1,8% e 2,2% para o ano.
Rafael Alves Rocha, diretor-geral da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), destaca que a atividade nos setores da produção industrial, serviços e retalho tem vindo a moderar-se desde novembro. O impacto das interrupções em várias indústrias e explorações agropecuárias, causadas por eventos climáticos adversos, agrava ainda mais a situação. Apesar deste cenário, a CIP salienta a evolução positiva do mercado de trabalho e a execução dos fundos do PRR, que devem continuar a sustentar a procura interna neste trimestre.
Em janeiro, alguns indicadores mostraram um crescimento nas vendas de automóveis ligeiros de passageiros (16,1%) e ligeiros de mercadorias (5,6%), além de um aumento de 5,9% no consumo de eletricidade. Contudo, a produção de automóveis ligeiros de passageiros caiu 10,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, o que reflete a fragilidade do crescimento da economia portuguesa.
O barómetro também aponta que a destruição de capital, resultante das interrupções de atividade, afetará diretamente o stock produtivo da economia, levando a um abrandamento do crescimento em cadeia do produto no primeiro trimestre. A tendência de moderação nos setores da produção industrial e serviços reforça a perspetiva de um desempenho mais fraco da economia.
Além disso, o conflito no Médio Oriente está a provocar um aumento nos preços dos produtos petrolíferos e nos custos de transporte a nível global. A CIP alerta para o risco de uma subida prolongada dos preços do petróleo e do gás natural, o que poderá ter consequências diretas na economia portuguesa. Rafael Alves Rocha sublinha a necessidade de medidas de apoio às empresas mais afetadas pelo aumento dos custos energéticos.
O primeiro-ministro também reconheceu que a volatilidade dos preços poderá impactar o custo dos combustíveis. Caso haja um aumento superior a 10 cêntimos, o Governo poderá considerar um desconto extraordinário e temporário do ISP. A Associação Portuguesa dos Industriais Grandes Consumidores de Energia Eléctrica (APIGCEE) já alertou para os potenciais impactos negativos do conflito na indústria nacional, pedindo medidas excecionais.
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Fonte: ECO





