Rácio de transformação bancária em alta após 15 anos

Em 2025, os bancos em Portugal emprestaram 78 euros por cada 100 euros recebidos em depósitos de particulares e empresas. Este valor representa um ligeiro aumento em relação a 2024, quando o rácio de transformação se fixou em 76 euros. Apesar do crescimento, este é ainda o segundo valor mais baixo do século, conforme revela o relatório do Banco de Portugal sobre o mercado de crédito entre 2000 e 2025.

O rácio de transformação é um indicador importante que mede a relação entre os empréstimos concedidos e os depósitos captados. Valores mais baixos indicam uma maior cobertura dos empréstimos pelos depósitos, reduzindo a dependência de financiamento externo. Durante uma década, os bancos portugueses financiaram os clientes particulares, com o rácio de transformação a ultrapassar 100% entre 2003 e 2013.

O relatório do Banco de Portugal destaca que, entre 2000 e 2007, o montante de empréstimos a particulares aumentou significativamente, atingindo 127,3 mil milhões de euros no final de 2007. Neste período, o rácio de transformação chegou a 163%, evidenciando uma forte dependência de financiamento externo, que mais do que duplicou. Contudo, essa estratégia tornou o sistema bancário mais vulnerável a choques externos.

O pico do rácio de transformação foi em 2009, com 169%, num contexto de crise financeira global. A crise do subprime e a falência do Lehman Brothers expuseram o setor bancário português a riscos elevados, levando os bancos a procurar novas fontes de financiamento. Entre 2009 e 2010, o rácio de transformação começou a descer, atingindo 160%, e continuou a cair até 2024.

Nos últimos 15 anos, o rácio de transformação caiu 90 pontos percentuais, de 169% para 79%. Este ajuste foi impulsionado pela crise das dívidas soberanas, que levou a uma redução na procura de crédito por parte de famílias e empresas. Durante este período, os depósitos de particulares voltaram a ser a principal fonte de financiamento dos bancos, especialmente entre 2011 e 2014, quando a taxa de juro dos depósitos em Portugal superou a média da Zona Euro.

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A partir de 2018, o rácio de transformação desceu abaixo dos 100% pela primeira vez, fixando-se em 96%. Em dezembro de 2025, os depósitos de particulares atingiram um máximo histórico de 200,7 mil milhões de euros, consolidando-se como a principal fonte de financiamento do setor bancário.

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Fonte: Doutor Finanças

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