António Costa Silva, antigo ministro da Economia, afirmou em entrevista à Lusa que o mundo ainda não enfrenta um choque petrolífero, embora a situação possa tornar-se grave se o conflito no Irão se prolongar. “Ainda não estamos num choque petrolífero, não podemos dramatizar e ser muito alarmistas”, disse o especialista em energia, alertando que a gravidade da situação depende da duração do conflito.
Segundo Costa Silva, existem dois cenários possíveis para o futuro imediato. O primeiro é que o conflito seja contido rapidamente, o que minimizaria os efeitos no mercado. O segundo, mais preocupante, é que a situação se prolongue, levando a um aumento significativo dos preços do petróleo e do gás, que já estão a subir. “Se o conflito persiste, os preços vão continuar a disparar”, avisou.
O antigo governante destacou que, se a situação não se resolver rapidamente, poderemos assistir a um surto inflacionista, o que obrigaria o Banco Central Europeu e a Reserva Federal dos Estados Unidos a intervir. “Podemos ter uma inflação temporária que vai crescer”, afirmou, referindo que o impacto no mercado pode ser semelhante ao que ocorreu após o ataque dos EUA ao Irão no ano passado, que resultou num aumento temporário dos preços.
Costa Silva também criticou a administração do Presidente Trump, considerando-a irresponsável e comparando a situação atual com a invasão do Iraque em 2003. “Os regimes não se mudam através do exterior e, sobretudo, com uma invasão”, sublinhou, lamentando que a política externa dos EUA esteja a ser condicionada por Israel, o que pode ter consequências graves para a estabilidade do Médio Oriente.
O antigo ministro alertou ainda para a paralisação de infraestruturas críticas na região, que concentra 65% das reservas mundiais de petróleo e gás. A situação é particularmente alarmante no porto de Ras Tanura, na Arábia Saudita, que está ligado ao maior complexo petroquímico do mundo, e no Qatar, onde se encontra o maior campo de gás do mundo. “Isto é muito significativo porque é o coração do sistema petrolífero internacional”, acrescentou.
Atualmente, a Europa tem conseguido diversificar a sua dependência do gás russo, mas a paragem das infraestruturas no Qatar pode complicar a situação. “A outra parte do gás europeu é importada do Qatar, que é exatamente a estrutura que está paralisada”, concluiu Costa Silva.
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Fonte: ECO





