António Costa Silva analisa a luta entre EUA e China na energia

António Costa Silva, antigo ministro da Economia, afirmou em entrevista à Lusa que os Estados Unidos e a China estão envolvidos numa intensa competição energética que vai além da geopolítica. Segundo ele, a luta por recursos minerais estratégicos, como as terras raras, está intimamente ligada à energia, um dos pilares da geopolítica mundial.

O especialista sublinha que a recente instabilidade no mercado de petróleo, especialmente em relação à Venezuela e ao Irão, é um reflexo desta competição. A intervenção militar dos EUA e de Israel no Irão, que resultou na morte do líder supremo Ali Khamenei, exemplifica como a luta pela energia pode ter repercussões globais.

Na visão de Costa Silva, a transição energética está a criar um conflito entre os “petroestados”, que tradicionalmente dominaram a ordem energética, e os “eletroestados”, que apostam na eletrificação. Neste contexto, os EUA emergem como o maior “super petroestado” do mundo, impulsionados pela revolução do petróleo e gás de xisto, sendo atualmente os maiores produtores globais.

Contudo, a administração de Donald Trump, ao favorecer os combustíveis fósseis, está a contribuir para a deterioração do sistema climático, uma das maiores ameaças que a humanidade enfrenta, segundo Costa Silva. O antigo governante critica a superficialidade da política externa dos EUA, que, ao restringir o acesso da China ao petróleo venezuelano e iraniano, pode ter subestimado a capacidade de Pequim em encontrar alternativas.

A China, por sua vez, está a consolidar-se como o maior “eletroestado” do mundo, investindo fortemente na eletrificação e nas energias renováveis. Atualmente, cerca de 90% dos painéis solares e 80% das baterias são fabricados na China, que também lidera a produção de veículos elétricos.

Costa Silva acredita que a China poderá compensar a falta de petróleo da Venezuela e do Irão através de um reforço das relações com a Rússia, que está a reconsiderar o abastecimento do mercado europeu em favor de países asiáticos. Esta dinâmica poderá acelerar a transição energética da China, o que, segundo ele, será benéfico para o planeta.

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O especialista alerta que, apesar da dominância atual dos combustíveis fósseis, que ainda representam 80% da matriz energética mundial, a tendência é que essa dominância diminua nas próximas décadas. A Agência Internacional de Energia (AIE) já indica que essa transição se está a acelerar.

Leia também: O impacto da transição energética na economia global.

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Fonte: Sapo

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