A reconstrução do Centro de Portugal, após as devastadoras tempestades que ocorreram no início do ano, poderá resultar em prejuízos que variam entre 5 a 6 mil milhões de euros. Paulo Fernandes, líder da Estrutura de Missão para a Reconstrução da Região Centro, revelou que cerca de 10 mil trabalhadores estão a beneficiar de apoios do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), com 1.500 empresas a solicitar apoio para a manutenção dos postos de trabalho, superando assim os pedidos de lay-off.
Em entrevista ao programa Conversa Capital, Fernandes destacou que a medida do IEFP garante o pagamento de salários, até dois ordenados mínimos, durante três meses, para assegurar a continuidade do emprego. Este apoio é crucial, uma vez que a adesão das empresas à medida é significativa, envolvendo um número considerável de trabalhadores e empresas. Além disso, a isenção do pagamento da Taxa Social Única (TSU) já abrange 11 mil empresas, representando um apoio direto de 200 milhões de euros.
A magnitude dos danos provocados pelas tempestades levou Fernandes a propor a implementação de seguros obrigatórios para catástrofes naturais e a revisão do plano Portugal 2030. O responsável alertou ainda para a escassez de mão-de-obra na construção civil, um desafio que o Governo está a tentar colmatar através da agilização da legalização de imigrantes qualificados que já se encontram em Portugal.
Com 140 mil apólices acionadas, Fernandes sublinhou que cerca de metade das habitações e empresas afetadas não possuía cobertura para este tipo de fenómenos. Para enfrentar esta situação, propôs que a região Centro seja transformada numa “região piloto” para testar novos modelos de seguros territoriais e paramétricos. Além disso, defendeu a obrigatoriedade de seguros de catástrofes naturais em zonas de risco, com o objetivo de proteger as famílias mais vulneráveis através de apoios sociais.
Atualmente, um terço dos processos das seguradoras já foi liquidado, e o acesso a financiamento foi simplificado. As empresas que registaram danos de 25% do seu ativo corpóreo podem agora aceder a adiantamentos, um processo que a banca comercial já começou a implementar. No que diz respeito aos apoios financeiros, os mil milhões de euros destinados à tesouraria estão quase esgotados, enquanto a nova linha de 150 milhões de euros a fundo perdido, recentemente aprovada pelo Executivo, começa a gerar interesse entre os empresários da região.
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Fonte: Sapo





