Como os britânicos revitalizam marcas de luxo

Michael Ward, presidente emérito da Walpole, esteve recentemente em Portugal para partilhar a experiência britânica na criação de marcas de luxo. Conhecido pela sua longa ligação aos armazéns Harrods, Ward tem liderado iniciativas que impulsionam o desenvolvimento de marcas de luxo no Reino Unido. Durante uma apresentação na sede da Têxtil Manuel Gonçalves, em Famalicão, ele descreveu o processo como uma transformação de “um embrião para algo com substância”.

Um dos exemplos de sucesso do programa Brands of Tomorrow, da Walpole, é a marca de relógios Bremont, que se destaca por ser totalmente produzida em solo britânico. A empresa, localizada em Henley-on-Thames, é a primeira unidade industrial de relojoaria construída no Reino Unido em várias gerações. Outro exemplo notável é Olivia von Halle, que se tornou conhecida pelos seus pijamas e artigos de seda, tendo começado a sua distribuição no Harrods.

Ward explicou que a criação de marcas de luxo não é suficiente; é necessário estabelecer um ecossistema que suporte o crescimento. “O Governo nunca o iria fazer por nós”, afirmou, referindo-se à necessidade de um programa estruturado que ajude os novos talentos a prosperar. Desde 2007, o programa já apoiou mais de 150 marcas, transformando-as em nomes reconhecidos no setor.

O desafio agora é replicar este modelo em Portugal. Ward acredita que o país tem potencial para criar uma comunidade de fabricantes e marcas de luxo, especialmente no setor têxtil, onde a qualidade da produção é um trunfo. “Ninguém quer que os seus produtos sejam fabricados na Ásia ou na China”, sublinhou, elogiando os talentos portugueses na indústria transformadora.

Francisco Carvalheira, presidente da Laurel, concorda com a visão de Ward e sugere a criação de uma academia em Portugal para formar novos talentos no setor do luxo. “Temos os alicerces e a altura certa para começar”, afirmou, referindo-se à necessidade de um programa semelhante ao Brands of Tomorrow.

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Além disso, a Walpole tem colaborado com a London Business School para desenvolver um MBA focado na indústria do luxo, que já formou mais de 300 especialistas. Ward enfatizou a importância de uma voz coletiva na Europa, através da ECCIA, que representa várias associações do setor de luxo. “Criámos uma voz de luxo para sermos ouvidos”, explicou, destacando a relevância do setor para a economia europeia.

Em suma, a experiência britânica na criação de marcas de luxo pode servir de inspiração para Portugal. Através de um esforço conjunto e do desenvolvimento de um ecossistema robusto, é possível que o país se torne um novo polo de excelência no setor do luxo. Leia também: O impacto das marcas de luxo na economia portuguesa.

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Fonte: ECO

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