Negociações sobre pacote laboral terminam sem acordo

As negociações em torno do novo pacote laboral terminaram sem acordo, conforme confirmou Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo de Portugal, ao Jornal Económico. A falta de consenso entre o Governo, a UGT e as confederações patronais foi antecipada por diversas fontes, incluindo o Observador.

Calheiros expressou a sua convicção de que a UGT, por razões políticas e ideológicas, optou por não assinar o acordo. “Esta fase acabou. Não há mais nada a fazer”, afirmou. Por sua vez, João Vieira Lopes, presidente da Confederação de Comércio e Serviços de Portugal, corroborou a ideia de que a UGT decidiu não avançar com um entendimento, prevendo que o pacote laboral siga agora para o Parlamento.

A ministra do Trabalho deverá discutir com o Governo os próximos passos a serem tomados. O pacote de revisão laboral, que inclui alterações ao código do trabalho, será agora debatido no Parlamento, onde o Executivo tentará obter o apoio de partidos como o Chega e a Iniciativa Liberal.

Entre as questões mais controversas que ficaram pendentes estão o regresso do banco de horas individual, a revogação das restrições ao ‘outsourcing’ em caso de despedimentos e as normas sobre despedimentos. A UGT considera estas matérias como linhas vermelhas, inaceitáveis na forma como foram apresentadas. A central sindical também levantou preocupações sobre a transmissão de estabelecimento, o trabalho não declarado, a negociação coletiva e a atividade sindical nas empresas.

Vieira Lopes revelou que a possibilidade de discutir o ‘outsourcing’ após despedimentos foi abordada, mas apenas em situações que não afetem o núcleo do negócio das empresas. O Governo pretende revogar a norma que proíbe a contratação de serviços externos para necessidades que surgem após despedimentos coletivos ou por extinção de postos de trabalho.

Armindo Monteiro, presidente da CIP, comentou que a responsabilidade pela falta de acordo recai sobre a UGT, afirmando que “não é habitual vermos a UGT ter a atitude que teve” durante as negociações da reforma laboral proposta pelo Governo. O Presidente da República, António José Seguro, que recentemente tomou posse, já havia manifestado a sua oposição ao documento apresentado, considerando que não resolve problemas e pode, na verdade, criar mais instabilidade social.

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Fonte: Sapo

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