Portugal precisa de um choque de gestão empresarial urgente

Portugal enfrenta um desafio premente: a necessidade de um verdadeiro choque de gestão empresarial. Embora a evolução fiscal, a simplificação regulatória e novos pacotes de incentivos públicos sejam importantes, estes apenas arranham a superfície dos problemas estruturais que afetam a nossa economia. O que realmente falta é uma abordagem mais profunda que permita aumentar a escala das empresas, elevar a produtividade e reforçar a rentabilidade.

Historicamente, a competitividade do país tem sido discutida quase exclusivamente em termos do papel do Estado. Políticas públicas, fundos europeus e legislação laboral são frequentemente os focos da conversa. Contudo, uma parte significativa das fragilidades competitivas da economia portuguesa reside dentro das próprias empresas. Apesar de existirem muitas empresas em Portugal, a maioria é de pequena dimensão, muitas vezes familiar e com uma gestão que não reflete as exigências do mercado atual.

Este modelo empresarial, que durante anos trouxe resiliência e criação de emprego, começa a mostrar os seus limites. As pequenas empresas enfrentam dificuldades em investir em tecnologia, inovação e internacionalização. Muitas operam numa lógica de gestão defensiva, focando-se na proteção do que já existe e evitando riscos estratégicos. Essa abordagem, que era compreensível num passado recente, torna-se cada vez mais arriscada num mundo em constante transformação.

Atualmente, a imprevisibilidade estrutural da economia exige uma mudança de mentalidade. A transformação tecnológica e as tensões geopolíticas estão a redesenhar o panorama económico global. Gerir apenas para a estabilidade é um risco que muitas empresas, incluindo algumas de grande dimensão, continuam a correr. É crucial que as empresas portuguesas deixem de ver o futuro como uma extensão do passado e comecem a investir na criação de novas fontes de valor.

Um choque de gestão em Portugal implica três mudanças fundamentais. Primeiro, a escala. As empresas precisam de ter massa crítica suficiente para competir em mercados internacionais e desenvolver novas áreas de negócio. A consolidação empresarial deve ser vista como uma oportunidade de reforço competitivo, e não como uma ameaça.

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Em segundo lugar, a produtividade. Este conceito deve ser integrado no debate sobre gestão empresarial. A produtividade é gerada dentro das empresas e depende da qualidade da gestão, da organização do trabalho e da adoção de tecnologia. A digitalização e a automação oferecem oportunidades valiosas, mas exigem investimento e uma capacidade de mudança organizacional.

Por último, a rentabilidade. Este tema é frequentemente negligenciado no debate económico. Empresas com baixa rentabilidade têm menos capacidade para investir e inovar. A rentabilidade é uma condição essencial para a sustentabilidade estratégica. Sem margens sólidas, não há espaço para crescimento ou inovação.

Portanto, um verdadeiro choque de gestão em Portugal não se limita a novos instrumentos ou políticas. É necessária uma mudança profunda na ambição empresarial. As empresas devem deixar de gerir apenas para sobreviver e começar a gerir para liderar. O crescimento deve ser visto como uma necessidade estratégica, e a inovação como uma condição básica para competir.

Portugal já demonstrou uma notável capacidade de adaptação em momentos críticos da sua história económica. O crescimento de setores exportadores e o dinamismo de algumas empresas industriais são exemplos disso. Contudo, para que essa transformação se generalize, é necessário um novo paradigma de gestão. Num mundo imprevisível, a boa gestão deve focar na construção do futuro. Portugal precisa deste choque de gestão e precisa dele agora.

Leia também: O impacto da inovação na competitividade das empresas portuguesas.

choque de gestão Nota: análise relacionada com choque de gestão.

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Fonte: Sapo

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