O Ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, fez um apelo aos bancos para que reavaliem a sua abordagem em relação ao crédito às empresas. Durante o Fórum Banca, promovido pelo Jornal Económico, o governante elogiou os esforços das instituições financeiras na redução do crédito malparado, mas alertou para uma “situação anómala” que está a afetar o crescimento económico.
Castro Almeida destacou que, entre 2015 e 2025, o rácio de NPL (Non-Performing Loans) dos bancos caiu de 17,5% para 2,3%, um resultado que considera notável. No entanto, sublinhou que existe uma preocupação significativa: o valor dos depósitos das empresas nos bancos ultrapassa o montante dos empréstimos concedidos a estas. Este fenómeno, que não se verificava há 45 anos, é um sinal de alerta que não pode ser ignorado.
De acordo com os dados do Banco de Portugal, em dezembro, os depósitos das empresas atingiram 75,6 mil milhões de euros, enquanto os empréstimos dos bancos ao setor empresarial se situaram em 74 mil milhões. Em janeiro, os empréstimos voltaram a superar os depósitos, mas a situação ainda assim levanta questões sobre a disponibilidade de crédito às empresas.
O ministro referiu que as empresas têm manifestado preocupações sobre a “excessiva retração do sistema financeiro nas suas análises de crédito”. Apesar da disponibilidade do Estado em garantir até 80% dos valores dos empréstimos através do Banco Português de Fomento, as instituições financeiras parecem hesitar em conceder crédito.
Castro Almeida enfatizou que a garantia do Estado deve servir para alavancar a atividade das empresas e não para proteger os bancos de riscos. “Não pode ser uma forma de transferir créditos sem garantia do Estado para uma linha garantida, sem um aumento no volume de crédito”, afirmou.
Embora reconheça a importância de continuar a reduzir a percentagem de NPLs, o ministro alertou que o excesso de prudência pode, na verdade, atrasar o crescimento económico. É vital que os bancos encontrem um equilíbrio entre a gestão de riscos e a necessidade de apoiar as empresas, que são fundamentais para a recuperação económica.
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Fonte: ECO





