A Comissão Europeia apresentou uma proposta para incluir o Reino Unido e o Japão na lista de países parceiros do programa ‘Made in Europe’. Esta iniciativa visa fortalecer a autonomia industrial da União Europeia e levanta questões sobre os seus objetivos e as relações comerciais com países externos.
Atualmente, a lista de parceiros ‘especiais’ do ‘Made in Europe’ conta com 40 países, como Noruega, Suíça e Ucrânia. A inclusão do Reino Unido e do Japão permitiria que estes países fossem considerados equivalentes em termos de práticas de produção, sustentabilidade e responsabilidade laboral. Com esta proposta, Bruxelas pretende promover uma abordagem multilateral nas relações comerciais, facilitando o acesso recíproco aos mercados.
O conceito de ‘Made in Europe’ revela-se, assim, mais abrangente do que a própria União, respondendo às preocupações de várias indústrias europeias que olham com desconfiança para o plano. A proposta sugere que a preferência de compra europeia se estenda a parceiros que partilhem compromissos semelhantes, contribuindo para a competitividade e segurança económica da União. Na prática, isso significa que a produção em países como o Reino Unido e o Japão poderia ser considerada equivalente à da União Europeia.
Contudo, a proposta não está isenta de controvérsias. A França, uma das principais defensoras da preferência europeia, enfrenta resistência de países como a Alemanha e algumas nações nórdicas, que preferem a abordagem ‘Made with Europe’. Esta última permitiria a integração de parceiros industriais de fora da União, mas a indústria europeia teme perder cadeias de abastecimento essenciais. Muitas empresas já dependem de produção fora do espaço comum, o que pode dificultar a adaptação às novas regras propostas pelo ‘Made in Europe’.
A pressão para incorporar a preferência europeia nas licitações públicas tem vindo a aumentar, especialmente com o interesse de capitais da União e de parceiros como os Estados Unidos e o Reino Unido. Como resposta às reticências, a Comissão Europeia está a reavaliar o plano inicial, propondo a criação de uma lista de ‘parceiros especiais’.
O objetivo da Comissão é que, com as medidas do ‘Made in Europe’, a indústria europeia volte a representar 20% do PIB da União até 2035, um aumento significativo face aos atuais 14%. Esta meta ambiciosa reflete a necessidade de revitalizar a produção europeia e garantir a sua competitividade no cenário global.
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Fonte: Sapo





