O Embaixador da República Popular da China em Portugal, Yang Yirui, acredita que existe um grande potencial para a cooperação automóvel entre os dois países. Durante a conferência internacional ‘Juntos, Criamos Futuro – Together, Leading the Way’, organizada pela Associação Nacional do Ramo Automóvel (ARAN), Yang destacou que Portugal possui vantagens únicas na produção de peças e na utilização de energias renováveis. Por outro lado, a China traz uma vasta experiência na fabricação de veículos completos, baterias e sistemas inteligentes, criando assim um cenário promissor para a colaboração.
O encontro teve como tema central a ascensão da China como superpotência na indústria automóvel. A forma como o país alterou o equilíbrio global do setor, introduzindo novos ritmos de inovação e competitividade, foi um ponto focal da discussão. A ARAN sublinhou que esta abordagem é especialmente relevante para Portugal, que mantém uma relação histórica com a China há mais de quatro séculos e enfrenta uma concorrência internacional crescente no setor automóvel.
Yang Yirui apresentou dados sobre a indústria automóvel chinesa, que, em 2025, registou 34 milhões de vendas, dos quais 16 milhões foram de veículos elétricos. A China tem liderado a produção e venda de veículos elétricos durante 17 anos consecutivos. O crescimento deste segmento deve-se a uma combinação de fatores, incluindo a elevada capacidade tecnológica das empresas e o papel ativo do governo chinês na promoção da inovação e regulação do mercado.
As políticas ambientais da China têm promovido a transição para veículos mais sustentáveis, enquanto as normas técnicas asseguram a qualidade dos produtos. O embaixador destacou que a regulação do mercado visa promover uma concorrência justa e combater práticas desleais. A dimensão do mercado chinês também é uma força motriz para a inovação e a redução de custos, com a China a registar uma quota de cerca de 35% em patentes tecnológicas até 2025.
A cadeia industrial da China é extremamente eficiente, com um circuito fechado que abrange desde a extração de recursos minerais até à produção de veículos elétricos. Em 2025, as marcas chinesas venderam 11.901 unidades elétricas em Portugal, demonstrando a aceitação das marcas chinesas no mercado europeu, sempre em conformidade com as normas técnicas.
Yang Yirui refutou a ideia de que as marcas chinesas dependem de preços baixos como estratégia de mercado. Em vez disso, as marcas apostam num posicionamento de gama média-alta, com um elevado nível de equipamento e inovação. Um exemplo claro é a capacidade de carregar uma parte da bateria de um veículo em apenas cinco minutos, o que reflete a qualidade da produção e a capacidade de inovação.
Atualmente, a eletrificação e a digitalização estão a transformar a concorrência global, e Yang defendeu que a cooperação é essencial para o progresso da indústria automóvel. Em 2025, as marcas estrangeiras representaram 30% do total de vendas no mercado chinês, com as marcas alemãs a deterem uma quota de 12%. A cooperação entre a China e a Europa é vista como uma oportunidade para resolver problemas e divergências, com ambas as partes a concordarem em substituir taxas alfandegárias por mecanismos de preços.
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Fonte: Sapo





