O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, afastou categoricamente a possibilidade de fusão entre a agência de notícias Lusa e o grupo RTP. Durante uma conferência de imprensa após o Conselho de Ministros, o ministro defendeu que os novos estatutos da Lusa visam desgovernamentalizar a agência, questionando o Partido Socialista (PS) sobre a falta de criação de um Conselho Geral Independente durante os seus mandatos.
Leitão Amaro sublinhou que não faz sentido considerar uma fusão entre a Lusa e a RTP, uma vez que ambas as entidades desempenham funções distintas dentro do serviço público. “A Lusa é um fornecedor de conteúdos para diversos órgãos de comunicação, enquanto a RTP é concorrente de alguns deles”, afirmou. O ministro também reconheceu que, embora a colaboração entre as duas entidades possa ser benéfica em certas delegações, cada uma deve operar com a sua própria independência editorial.
Em resposta à proposta do PS de criar um Conselho Geral Independente na Lusa, Leitão Amaro expressou a sua surpresa. “É curioso que, após décadas no Governo, nunca tenham pensado em criar este conselho”, criticou. O ministro defendeu as recentes alterações aos estatutos da Lusa, que, segundo ele, diminuem o poder do Governo e fortalecem a capacidade de ação da agência.
“Com os novos estatutos, a Lusa terá um conselho consultivo que incluirá trabalhadores, associações de meios de comunicação e representantes de comunidades, permitindo uma fiscalização interna mais robusta”, explicou. Comparando a situação atual com a anterior, Leitão Amaro afirmou que o Governo tinha mais controlo sobre a Lusa há seis meses do que tem agora, e garantiu que não pretende utilizar esse poder como outros governos o fizeram no passado.
Além disso, o ministro contestou críticas sobre a exposição da Lusa ao parlamento, argumentando que a RTP já possui um modelo que exige prestação de contas, mas nunca foi alvo de questionamento. “Os novos estatutos da Lusa visam desgovernamentalizar e reforçar a sua capacidade de ação”, reiterou.
Leitão Amaro anunciou ainda que o Governo planeia fortalecer a Lusa com um capital de 5 milhões de euros até ao final de 2025 e está a trabalhar na revisão do contrato de serviço público, com o objetivo de reduzir os preços cobrados pela Lusa à comunicação social nacional, regional e local.
Entretanto, os trabalhadores da Lusa organizaram manifestações em Lisboa e no Porto, expressando a sua oposição ao novo modelo de governação e ao processo de reestruturação da empresa, além de contestarem a possível mudança de sede para as instalações da RTP.
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Fonte: Sapo





