A agência de rating Morningstar DBRS confirmou o rating da EDP – Energias de Portugal e da EDP Finance B.V. em “BBB”, mantendo uma perspetiva estável. Esta decisão é suportada pelo desempenho operacional robusto da empresa em 2025 e pela sólida geração de fluxo de caixa.
De acordo com a DBRS, a classificação reflete um equilíbrio entre o forte desempenho operacional da EDP e os desafios financeiros associados ao seu ambicioso plano de expansão. A agência prevê um ligeiro aumento do endividamento até 2028, à medida que a empresa financia os seus investimentos. Contudo, a estratégia de rotação de ativos e a resiliência dos seus negócios nas áreas de redes e energias renováveis sustentam a classificação de grau de investimento.
A confirmação do rating pela DBRS surge após um ano de 2025 em que a EDP superou as expectativas. A elétrica apresentou métricas financeiras que agradaram à agência, incluindo um fluxo de caixa sobre dívida de 18,7% e uma dívida sobre capital de 50,7%. Estes indicadores conferem à empresa uma margem de manobra confortável dentro do escalão de investment grade.
O modelo de negócio da EDP destaca-se pela sua resiliência, com as energias renováveis e a gestão de energia a representarem cerca de 70% do EBITDA. A empresa aumentou a sua capacidade renovável em 2,1 GW durante 2025, enquanto as centrais de ciclo combinado a gás garantem a estabilidade do sistema, especialmente após o apagão ibérico de abril de 2026. O segmento de redes, que contribui com cerca de 30% do EBITDA, assegura fluxos de caixa previsíveis através da distribuição em Portugal, Espanha e Brasil.
Para o período de 2026 a 2028, a DBRS antecipa crescimento, embora com alguma pressão financeira. Apesar de a EDP planejar gerar cerca de 12 mil milhões de euros em receitas com a sua estratégia de rotação de ativos, a agência mantém uma postura cautelosa quanto à execução atempada dessas alienações, prevendo possíveis atrasos.
A DBRS alerta ainda para o impacto do plano de investimentos de 12 mil milhões de euros, que deverá resultar num aumento da dívida bruta, passando de 19,4 mil milhões de euros em 2026 para cerca de 21,3 mil milhões em 2028. Devido ao elevado Capex, o fluxo de caixa livre deverá continuar negativo, o que significa que a EDP gastará mais do que gera organicamente, dependendo de nova dívida e da execução da sua estratégia de rotação de ativos.
A EDP planeia encaixar aproximadamente 5 mil milhões de euros com a venda de ativos até 2028. No entanto, a DBRS mantém uma postura cautelosa, apontando para o risco de eventuais atrasos na concretização desses desinvestimentos.
Para o período de 2026 a 2028, a DBRS espera que o perfil de resultados da EDP permaneça resiliente, sustentado pelo crescimento estável dos seus negócios de redes reguladas e de geração renovável. O EBITDA ajustado deverá aumentar de cerca de 4,97 mil milhões de euros em 2026 para aproximadamente 5,1 mil milhões de euros em 2028, refletindo contribuições da expansão das carteiras eólica e solar. O fluxo de caixa operacional deverá manter-se sólido, em cerca de 3,5 mil milhões de euros durante este período.
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Fonte: Sapo





