Sines, a cidade que um dia viu Vasco da Gama partir em busca de novas rotas comerciais, está prestes a receber um investimento sem precedentes de 25 mil milhões de euros até 2031. Este montante resulta de um pipeline de 30 projetos, promovidos por 53 empresas e consórcios de 10 países, com 13 deles classificados como Projetos de Potencial Interesse Nacional (PIN), segundo a Aicep Global Parques.
A previsão é de que estes investimentos em Sines criem cerca de 4.577 postos de trabalho diretos e 6.903 temporários. Isabel Cardoso, CEO da Aicep Global Parques, destaca que a localização geoestratégica de Sines, próxima das principais rotas marítimas e com um porto de águas profundas altamente competitivo, é um fator decisivo para atrair este volume de investimentos. Além disso, a cidade oferece solo industrial disponível, acesso a infraestruturas energéticas e condições favoráveis para projetos ligados à transição energética e à economia digital.
Os setores que mais se destacam nos investimentos em Sines incluem a energia, a indústria e o digital. A multinacional espanhola Repsol, por exemplo, está a investir mais de dois mil milhões de euros na expansão da sua unidade industrial, enquanto a Galp está a desenvolver projetos de hidrogénio verde em parceria com a Mitsui. Outro investimento notável é da empresa chinesa Calb, que está a instalar uma unidade de produção de baterias de lítio, com um investimento superior a dois mil milhões de euros.
O Porto de Sines, que movimenta mais de 50% da carga em Portugal, é uma peça central neste crescimento. Com capacidade para receber todo o tipo de navios e uma infraestrutura que garante acesso direto aos mercados internacionais, o porto é crucial para a capacidade energética do país. Pedro do Ó Ramos, presidente do Conselho de Administração dos Portos de Sines e do Algarve, sublinha a importância de Sines como âncora para investimentos, especialmente na transição para combustíveis mais sustentáveis.
Contudo, o crescimento económico traz desafios. A cidade, que tem uma população de cerca de 13 mil habitantes, enfrenta uma crescente pressão habitacional, com os preços das rendas a ultrapassarem os dois mil euros mensais para um apartamento T2. O presidente da Câmara Municipal, Álvaro Beijinha, estima que serão necessários mais de mil milhões de euros para construir duas a três mil casas nos próximos anos, para responder à demanda crescente.
A necessidade de uma ligação direta por autoestrada à A2 e melhorias na linha ferroviária para passageiros são também apontadas como essenciais para suportar o crescimento da cidade. “Temos um custo de vida cada vez mais elevado, seja na habitação ou na restauração”, afirma Beijinha, evidenciando a urgência de uma abordagem integrada para lidar com as “dores de crescimento” que Sines enfrenta.
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Fonte: Sapo





