Nos últimos meses, o cenário económico na Zona Euro tem vindo a mudar rapidamente, com os mercados a anteciparem uma subida dos juros. Até fevereiro, as previsões apontavam para a estabilidade das taxas de juro até 2026, com a inflação a rondar os 1,7% em janeiro e 1,9% em fevereiro. Contudo, o conflito no Médio Oriente provocou uma crise energética, levando a um aumento dos preços e à possibilidade de uma inflação crescente. Diante deste contexto, o Banco Central Europeu (BCE) pode ser forçado a agir, aumentando os juros para controlar a situação.
A questão agora não é se o BCE irá subir os juros, mas sim quando isso acontecerá. Analistas estimam que poderão ocorrer um ou dois aumentos de 25 pontos base ainda este ano. A próxima reunião do BCE está agendada para os dias 18 e 19 de março, e atualmente, há uma probabilidade de 77% de que os juros se mantenham inalterados. No entanto, Peter Kazimir, governador do banco central da Eslováquia, indicou que uma reação do BCE pode estar mais próxima do que se pensa, enfatizando a necessidade de vigilância.
As taxas Euribor, que influenciam a maioria dos créditos habitação, tendem a antecipar os movimentos dos juros de referência. Recentemente, a Euribor a 12 meses, que estava em 2,222% no final de fevereiro, começou a subir, alcançando 2,552% esta semana. A Euribor a 6 meses, que afeta cerca de 40% dos créditos habitação em Portugal, também subiu, aproximando-se dos 2,3%. As previsões indicam que estas taxas continuarão a subir ao longo do ano, o que poderá resultar em um aumento das prestações dos créditos com taxa variável.
Por exemplo, um crédito habitação de 200 mil euros, indexado à Euribor a 3 meses e com um spread de 1%, poderá ver a sua prestação mensal aumentar de 844 euros para cerca de 898 euros até ao final de 2026, caso a Euribor atinja os 2,5%. Em cenários mais extremos, onde a taxa chegue a 3%, o aumento poderá ser ainda mais significativo, atingindo 955 euros mensais.
É importante notar que o impacto nas prestações varia conforme o prazo do indexante e a data da revisão. Por exemplo, um crédito indexado à Euribor a 12 meses, revisto em janeiro, só refletirá as alterações no próximo ano. A incerteza em torno da evolução dos preços e das taxas de juro depende também da duração do conflito no Médio Oriente.
Independentemente do que acontecer nos próximos meses, as subidas recentes das taxas Euribor já poderão ter um efeito nas prestações de alguns contratos que serão revistos em abril. Se as tendências atuais se mantiverem, as famílias podem esperar um aumento ligeiro nas suas prestações. Para um crédito habitação de 250 mil euros, indexado à Euribor a 3 anos, a prestação poderá subir de 1.060 euros para 1.065 euros, enquanto um crédito indexado à Euribor a 6 meses poderá ver um aumento de 9 euros.
Para entender melhor como a subida dos juros poderá afetar o seu crédito, recomenda-se o uso de simuladores que ajudem a prever as variações da Euribor.
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Fonte: Doutor Finanças





