Na passada sexta-feira, em Paris, trinta e oito países uniram-se para assumir um compromisso ambicioso: triplicar a capacidade de produção de energia nuclear até 2050. Entre os signatários destacam-se nações como a China, África do Sul, Bélgica, Brasil e Itália. Este acordo junta-se ao apoio já manifestado por 25 países na COP28, que terá lugar em dezembro de 2023 no Dubai, conforme anunciou o governo francês.
O objetivo deste compromisso é claro: reforçar a segurança energética, garantir o acesso a uma energia limpa e cumprir as metas globais de neutralidade carbónica. Empresas francesas do setor, como a EDF, Orano e Framatome, também expressaram apoio à iniciativa, sublinhando a importância estratégica da indústria de energia nuclear para a França.
Roland Lescure, o ministro francês da Economia e Energia, considerou este momento como uma “ambição forte” para desenvolver a energia nuclear e triplicar as capacidades instaladas. Ele destacou o “saber-fazer histórico francês” como um ativo valioso para a criação de uma indústria nuclear internacional padronizada. A ministra delegada para a Energia, Maud Bregeon, reforçou a ideia de que a energia nuclear é uma “fonte de baixo carbono essencial”, que complementa as energias renováveis e é crucial para a descarbonização.
Contudo, especialistas alertam para os desafios que esta estratégia poderá enfrentar. A expansão da energia nuclear não está isenta de obstáculos técnicos, económicos e ambientais. A construção de novos reatores é um processo dispendioso e demorado, e o tratamento e armazenamento de resíduos nucleares continua a ser um problema sem solução em muitas regiões.
Além disso, apesar de a energia nuclear ser considerada uma fonte de baixo carbono, existem críticas por parte de movimentos ambientais que questionam a dependência desta tecnologia, apontando os riscos associados a acidentes e à proliferação nuclear. A meta de triplicar a capacidade mundial de energia nuclear até 2050 levanta questões sobre a capacidade de cada país em cumprir os prazos estabelecidos e equilibrar os investimentos em energias renováveis e nucleares.
O Sommet pour l’énergie nucléaire, realizado em Paris, reflete um significativo apoio político internacional, mas também evidencia a complexidade da transição energética global, marcada por tensões entre ambições climáticas, segurança energética e sustentabilidade ambiental.
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A declaração agora conta com o apoio de países como Arménia, Bélgica, Brasil, Canadá, China, Japão, entre outros, totalizando 38 nações comprometidas com o avanço da energia nuclear.
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Fonte: Sapo





