As exportações de componentes automóveis de Portugal continuam a enfrentar um cenário desafiador. Segundo dados da AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel, em janeiro de 2026, as exportações totalizaram 1.001 milhões de euros, o que representa uma queda de 6,9% em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Este declínio é um sinal preocupante para o setor, que já havia encerrado 2025 com uma redução de 3,5% nas exportações, totalizando 666 milhões de euros.
Apesar da quebra nas exportações de componentes automóveis, o desempenho do setor foi relativamente melhor do que o das exportações totais de bens em Portugal, que registaram uma descida de 14,1% no mesmo período. A AFIA destaca que a indústria de produção de componentes para automóveis sofreu uma diminuição de 4,8% em 2025, o que está em linha com a queda da produção na Europa, que é o principal mercado para as vendas portuguesas.
A relevância deste setor no comércio externo nacional é inegável. Em janeiro, os componentes automóveis representaram 16,5% das exportações de bens, o que significa que, para cada 100 euros exportados, 16,50 euros corresponderam a este segmento. A Europa continua a ser o principal destino, absorvendo 88,5% das exportações. No entanto, as vendas para este mercado caíram 2,8% em relação ao ano anterior.
Por outro lado, as exportações para África e o Médio Oriente cresceram 32,1%, enquanto as vendas para a América recuaram 1,2% e para a Ásia e Oceânia diminuíram 25,5%. Espanha mantém-se como o principal destino, com uma quota de 27,5%, seguida pela Alemanha (23,4%) e França (9,9%). Notavelmente, as exportações para França, Itália e Polónia registaram aumentos significativos, enquanto mercados como Espanha, Reino Unido e Estados Unidos apresentaram quedas acentuadas.
José Couto, presidente da AFIA, sublinha que, apesar dos desafios internacionais, a indústria portuguesa de componentes automóveis continua a ser um pilar importante da economia e das exportações. Ele alerta para a necessidade de garantir condições de competitividade que permitam às empresas investir e inovar, especialmente em face das tensões geopolíticas que podem aumentar a incerteza no setor.
A situação atual evidencia a resiliência da indústria, mas também a urgência de uma política industrial que proteja a competitividade e a capacidade exportadora. Leia também: O impacto das tensões geopolíticas nas exportações portuguesas.
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Fonte: Sapo





