Gabriela Figueiredo Dias, atual presidente da IESBA – ‘International Ethics Standards Board for Accountants’, tem acompanhado a evolução da governança corporativa em Portugal desde os seus tempos como líder da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Durante a conferência “Tendências e Desafios do Corporate Governance em 2026”, ela expressou que a governança corporativa passou de um mero “check in the box” para um elemento essencial na gestão empresarial e estratégia das organizações.
Figueiredo Dias sublinhou que, atualmente, as empresas são avaliadas não apenas pelo cumprimento das normas, mas também pela sua resiliência e capacidade de atrair investidores. Este reconhecimento da importância da governança corporativa é um sinal de que as empresas estão a ser cada vez mais escrutinadas.
Contudo, a presidente da IESBA alertou para a existência de tendências não uniformes a nível global. Ela destacou que fatores geopolíticos influenciam a forma como a governança corporativa é abordada em diferentes países. Nos Estados Unidos, por exemplo, há uma tendência de desregulação que prioriza a competitividade e o retorno financeiro. Em contraste, o Japão tem feito esforços para integrar a governança corporativa nas suas empresas, o que resulta numa maior confiança por parte dos investidores.
Na mesma conferência, Paulo Câmara, sócio da Sérvulo e Associados, referiu que os conselhos de administração estão a alargar o seu foco, incluindo temas como sustentabilidade, geopolítica e inteligência artificial nas suas discussões. Figueiredo Dias considera inevitável que as empresas se preparem para abordar a inteligência artificial dentro do contexto da governança corporativa. Ela enfatizou que a ética deve estar intrinsecamente ligada à governança, algo que a OCDE finalmente começou a reconhecer nas suas revisões dos princípios de governança.
Paulo Macedo, CEO da Caixa Geral de Depósitos, também comentou sobre a importância da governança na banca, referindo o conceito de “Fit and Proper”, que avalia a competência dos membros dos conselhos de administração. Macedo defendeu que este modelo deveria ser aplicado a empresas cotadas e públicas, para garantir que as boas práticas se generalizem.
O ministro das Finanças, Joaquim de Miranda Sarmento, destacou a relevância da governança corporativa nas empresas públicas, especialmente por envolver recursos dos contribuintes. Ele sublinhou que a implementação de boas práticas é crucial para que Portugal se afirme como uma economia dinâmica.
Por fim, João Moreira Rato, presidente do IPCG, reafirmou o compromisso do instituto em promover a governança corporativa como um fator de crescimento económico. Ele mencionou que o IPCG está a trabalhar para alcançar médias empresas e que uma nova revisão do código de governança está prevista para breve, com o objetivo de adaptar-se às necessidades atuais.
Leia também: A importância da ética na governança corporativa em Portugal.
Leia também: Investimento dos EUA em Portugal cresce 149% desde 2019
Fonte: ECO





