Jerome Powell, presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed), enfrenta um contexto económico desafiante. O aumento dos preços do petróleo devido ao conflito no Médio Oriente, a inflação persistente e uma investigação criminal em curso sobre a sua atuação estão a complicar a sua gestão. Na última reunião do Comité de Política Monetária, a Fed decidiu manter as taxas de juro inalteradas, entre 3,5% e 3,75%, pela segunda vez consecutiva.
Durante a conferência de imprensa, Powell foi claro ao afirmar que a situação actual não se assemelha à estagflação dos anos 70. “Estamos a tentar gerir a tensão entre dois objetivos, mas isto não é estagflação”, sublinhou, apesar de reconhecer que a inflação continua a ser uma preocupação central. As estimativas mais recentes indicam uma inflação PCE de 2,8% em fevereiro e um PCE core de 3%, bem acima da meta de 2%.
Powell também destacou que a economia americana está a passar por um momento delicado. O conflito com o Irão, que teve início a 28 de fevereiro, resultou num aumento de 30% nos preços da gasolina, enquanto o país perdeu 92 mil postos de trabalho no mesmo mês. Apesar destes desafios, o presidente da Fed enfatizou a resiliência da economia, afirmando que “o crescimento tem sido sólido” e que o consumo privado se mantém robusto.
O impacto do aumento dos preços do petróleo é uma preocupação adicional. Powell admitiu que este choque, embora pontual, poderá pressionar a inflação para cima no curto prazo. “O efeito líquido do choque do petróleo traduzir-se-á em alguma pressão descendente sobre o consumo e o emprego, mas também em pressão ascendente sobre a inflação”, explicou.
No que diz respeito ao mercado de trabalho, Powell reconheceu sinais preocupantes, com uma fraca criação de emprego a ser uma preocupação para muitos membros do Comité. “Estamos a observar um equilíbrio de crescimento zero do emprego, que, embora tecnicamente equilibrado, tem a sensação de um risco negativo”, afirmou.
Quanto ao futuro das taxas de juro, a mediana das projeções da Fed sugere cortes em 2026 e 2027, mas alguns membros já não preveem descidas este ano. Powell mencionou que a possibilidade de uma subida das taxas chegou a ser discutida, mas a maioria não considera isso como um cenário base. “Se não houver progressos na inflação, não haverá corte de taxas”, avisou.
Por último, a investigação criminal que envolve Powell não passou despercebida. Desde janeiro, o presidente da Fed está sob investigação do Departamento de Justiça, relacionada com o seu testemunho no Congresso sobre obras de renovação da sede da Fed. Powell defendeu que se trata de uma manobra política para o pressionar a baixar as taxas ou a demitir-se. Ele reafirmou que não tem intenção de deixar o cargo enquanto a investigação não for concluída de forma transparente.
A Fed encontra-se, segundo Powell, “numa situação difícil”, onde é necessário equilibrar os riscos. A prioridade continua a ser a inflação, que permanece acima do desejado, enquanto se tenta evitar uma política monetária demasiado restritiva que possa prejudicar o mercado de trabalho. O banco central promete acompanhar de perto a evolução dos dados nos próximos meses.
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Fonte: ECO





