A autenticidade na liderança tem vindo a ganhar destaque nas discussões sobre gestão, mas o seu significado varia consoante a perspetiva. Para alguns, ser autêntico implica expressar abertamente o que se pensa; para outros, é agir de acordo com valores pessoais profundos ou partilhar emoções sem filtros. Esta diversidade de interpretações pode gerar confusão no ambiente organizacional.
Para um líder, ser autêntico não significa praticar uma transparência total. É crucial distinguir entre comunicar de forma clara e expor todos os pensamentos ou informações estratégicas. A clareza na comunicação envolve transmitir mensagens de forma compreensível e respeitosa, enquanto a transparência absoluta pode ser imprudente, especialmente quando ignora a confidencialidade ou o impacto de certas informações na estabilidade da organização. Além disso, a natureza humana não suporta a exposição excessiva à realidade, o que torna aceitável a confidencialidade em reuniões, desde que resultem em decisões claras.
A vida organizacional pode ser comparada a uma peça de teatro, onde cada pessoa desempenha um papel com expectativas e responsabilidades definidas. Assim como um ator mantém a sua autenticidade ao interpretar um papel, um profissional pode preservar a sua integridade enquanto cumpre as exigências da sua função. O papel de um líder, em particular, envolve a tomada de decisões difíceis e a condução de conversas exigentes, que podem ser desconfortáveis tanto para quem as lidera como para quem as recebe.
Neste contexto, a autenticidade deve dialogar com princípios éticos e responsabilidades institucionais. Um líder não responde apenas às suas convicções pessoais, mas também aos deveres do seu cargo e ao objetivo de garantir a sustentabilidade da organização. A verdadeira autenticidade na liderança manifesta-se na capacidade de alinhar valores pessoais com responsabilidades profissionais, mantendo a integridade sem comprometer a missão coletiva.
É importante também diferenciar entre a candura ingénua e a observância pragmática das responsabilidades de liderança. A candura ingénua pode levar à crença de que toda a verdade deve ser revelada em qualquer circunstância, enquanto o pragmatismo responsável reconhece que a liderança exige ponderação e discernimento. Não se trata de ocultar a realidade, mas de compreender que a forma e o momento de comunicar são tão importantes quanto o conteúdo da mensagem.
Outro aspeto frequentemente esquecido é a solidão que acompanha os cargos de poder. A responsabilidade de decidir em contextos ambíguos e equilibrar interesses divergentes gera níveis de stresse que muitas vezes não são visíveis para quem observa de fora. Muitas decisões não podem ser partilhadas amplamente no momento da sua tomada, o que intensifica essa sensação de isolamento.
Por isso, líderes eficazes devem cultivar práticas de autocuidado, sejam físicas, emocionais ou reflexivas. Momentos de pausa, redes de confiança, mentoria ou reflexão estratégica são essenciais para manter a clareza e a estabilidade emocional em períodos de pressão.
Ser autêntico na liderança não significa abdicar do papel que se desempenha ou expor indiscriminadamente tudo o que se pensa. Trata-se de exercer a função com integridade, clareza e responsabilidade, equilibrando valores pessoais, deveres profissionais e o bem maior da organização. Este equilíbrio pode ser a forma mais exigente e realista de autenticidade na liderança.
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Fonte: Sapo





