A guerra no Médio Oriente representa um risco significativo para a economia da Zona Euro, podendo provocar uma aceleração da inflação, especialmente através do aumento dos preços da energia. Este cenário pode afetar a confiança dos consumidores e das empresas, levando a uma diminuição do investimento e do consumo, além de impactar negativamente os mercados financeiros globais. Apesar deste panorama desafiador, Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), acredita que a instituição está bem posicionada para enfrentar “o grande choque” resultante do conflito.
Em conferência de imprensa, após a decisão do BCE de manter as taxas de juro inalteradas pela sexta vez consecutiva, Lagarde sublinhou que, embora a situação não seja ideal, a instituição está preparada para lidar com as adversidades. “Partimos de uma boa base e, por isso, não estou a dizer que estamos num bom lugar, mas sim que estamos bem posicionados”, afirmou. A presidente do BCE destacou que a instituição está tanto bem posicionada como bem equipada para enfrentar o desenvolvimento de uma crise económica.
O BCE já foi forçado a rever em alta as suas projeções de inflação e a baixar as previsões de crescimento económico. Lagarde anunciou que a instituição irá apresentar uma análise de cenários sobre como a guerra no Médio Oriente poderá afetar esses indicadores. Neste contexto, a taxa de Facilidade Permanente de Depósito mantém-se nos 2%, enquanto as taxas de refinanciamento e de cedência de liquidez permanecem em 2,15% e 2,4%, respetivamente.
Os mercados financeiros antecipam que a inflação na Zona Euro poderá subir para perto dos 4% no próximo ano, com a expectativa de que demore vários anos a retornar à meta de 2% estabelecida pelo BCE. Apesar de alguns traders preverem duas ou três subidas das taxas até dezembro, a maioria dos economistas acredita que a instituição não irá tolerar outro pico de inflação impulsionado pela guerra, especialmente após os efeitos da invasão da Ucrânia pela Rússia há quatro anos.
Lagarde expressou a sua gratidão pela decisão do BCE, na última revisão estratégica, de tomar decisões com base nos dados disponíveis e em reuniões regulares. “Não posso dar-vos um calendário, uma data, mas posso garantir-vos que avançaremos com base nas projeções e nos cenários”, afirmou. A presidente do BCE destacou que a instituição estará atenta à evolução dos mercados de matérias-primas, aos estrangulamentos na oferta e às expectativas das empresas em relação aos preços de venda. “Estaremos particularmente atentos a todos os indicadores de procura, sejam eles os PMIs, a confiança dos consumidores ou os indicadores salariais”, concluiu.
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Fonte: ECO





