Criar uma marca de luxo em Portugal começa com um desejo genuíno. No entanto, essa vontade inicial não é suficiente. É necessário ter uma visão clara, resiliência e a capacidade de persistir, mesmo quando os resultados não aparecem de imediato. Na fase inicial, as marcas são frequentemente semelhantes, com a maior parte do trabalho a ser invisível, incluindo investigação, estratégia e desenvolvimento de produto. Este esforço é comum a marcas de diferentes segmentos, mas a verdadeira distinção surge quando a marca entra no mercado.
Um erro comum é pensar que as marcas de luxo podem ser criadas por decreto. Embora uma marca possa ter uma vocação para o luxo, este não se constrói rapidamente. O luxo é um conceito que se edifica ao longo do tempo, através da consistência e da manutenção de um nível de excelência que é gradualmente reconhecido pelo mercado.
No segmento de luxo, o que realmente importa é a coerência entre o produto, o saber-fazer, a história, a experiência e a reputação. O luxo é, acima de tudo, uma questão de consistência ao longo do tempo. Esta é uma questão crucial para a economia portuguesa: quem está a ajudar a criar esse caminho?
Durante anos, Portugal destacou-se pela sua capacidade de produzir para terceiros, criando uma economia exportadora forte, mas frequentemente sem marcas próprias de grande valor. Para criar marcas de luxo, é fundamental mudar mentalidades, assumir riscos e investir numa visão de longo prazo.
É neste contexto que a Laurel tem um papel significativo. A Associação Portuguesa de Marcas de Luxo e Excelência foi criada com o objetivo de promover e desenvolver o luxo português, criando condições para o surgimento de novas marcas de excelência. Uma das formas de alcançar este objetivo é através da criação de um ecossistema de conhecimento e partilha. Ao integrar a Laurel como Marca Associada, as empresas passam a fazer parte de uma rede onde circulam ideias e experiências entre diversos setores, como hotelaria, joalharia, moda, design e gastronomia.
Além disso, a Laurel tem promovido conferências e programas de formação dedicados à criação e gestão de marcas de valor. Em 2025, em parceria com a OnStrategy, foram realizadas sessões em Lisboa e no Porto, reunindo profissionais do universo das marcas para discutir a criação e gestão do valor da marca.
Outro aspeto importante é a ligação internacional. A presença da Laurel na ECCIA – European Cultural and Creative Industries Alliance – aproxima Portugal das principais referências europeias do luxo, permitindo uma melhor compreensão de como países como França e Itália construíram os seus ecossistemas de marcas globais.
O luxo não é apenas uma questão estética; é uma indústria de valor acrescentado, baseada em talento, criatividade e excelência produtiva. Portugal possui todos esses ingredientes, mas muitas vezes falta transformar este talento em marcas globais.
A Laurel não cria marcas de luxo por decreto, mas pode ajudar a criar um ambiente propício, com o conhecimento e a ambição necessários para que mais marcas portuguesas possam, com o tempo, alcançar esse patamar.
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Fonte: ECO





