Pedro Soares dos Santos, CEO da Jerónimo Martins, tranquilizou os consumidores sobre o abastecimento alimentar, apesar das tensões geopolíticas no Médio Oriente. Durante uma conferência de imprensa, o gestor destacou que o aumento dos combustíveis é o principal impacto que a empresa enfrenta neste momento. Com o barril de petróleo a ultrapassar os 100 dólares, o custo dos combustíveis tem vindo a aumentar, afetando tanto os consumidores como as empresas de transporte.
Soares dos Santos afirmou que, até agora, as companhias têm conseguido absorver esses aumentos, mas alertou que é incerto até que ponto isso será sustentável. “Vamos ver até que ponto é possível ou não aguentar”, disse o líder do grupo que detém as marcas Pingo Doce em Portugal e Biedronka na Polónia.
Além dos combustíveis, o CEO mencionou que outros impactos podem surgir ao longo do tempo, como o aumento dos preços dos fertilizantes. “Sabemos que já se estão a comprar a um preço muito mais alto para a próxima safra. Isso poderá vir a ter um impacto mais à frente”, explicou. Neste momento, os fertilizantes já apresentam aumentos superiores a 60% em relação aos preços anteriores ao conflito no Irão.
Soares dos Santos comparou a situação atual com o conflito na Ucrânia, sublinhando que o Médio Oriente, embora não seja o celeiro da Europa, é crucial para a produção de fertilizantes. “Aí pode haver, de facto, grande distúrbio”, advertiu.
O CEO também foi questionado sobre a possibilidade de reintrodução do ‘IVA Zero’, uma medida que isentava impostos sobre bens alimentares essenciais. Soares dos Santos mostrou-se dividido, afirmando que o ‘IVA Zero’ tem vantagens e desvantagens. “Não sei se é a medida mais equilibrada e mais justa para quem tem menos”, comentou, destacando que, embora beneficie os consumidores, não necessariamente a empresa.
O ano de 2026 promete ser desafiador para a Jerónimo Martins, com Soares dos Santos a reconhecer que será difícil manter os níveis de EBITDA e margem. “Se tudo o que estiver ao redor da vida de uma pessoa dispara, as pessoas vão ter de fazer escolhas”, alertou, referindo-se à pressão inflacionista e ao impacto dos combustíveis.
Apesar das preocupações, o CEO minimizou a pressão inflacionista no curto prazo, referindo que, atualmente, a taxa de inflação em Portugal é praticamente inexistente. “O que se está a projetar para a inflação tem sido mais suposições do que realidade”, afirmou. No entanto, reconheceu que o aumento da inflação é uma possibilidade a médio prazo.
A Jerónimo Martins anunciou recentemente um lucro de 646 milhões de euros em 2025, um aumento de 7,9% em relação ao ano anterior, e propôs um dividendo bruto de 0,65 euros por ação, o que representa um aumento de cerca de 10%.
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Fonte: ECO





