Portugal está prestes a entrar numa nova era de transparência política com a implementação do novo regime de lobby, que entra em vigor a 27 de julho de 2026. Este regime, aprovado em janeiro, visa esclarecer e regulamentar a influência que diversas entidades podem ter nas decisões políticas, um tema que, embora sempre presente, foi frequentemente ignorado.
O novo Registo de Transparência da Representação de Interesses (RTRI) é um marco importante. Para muitos, representa um avanço civilizacional, enquanto outros podem vê-lo como um incómodo. Este registo obriga todas as entidades que pretendem influenciar políticas públicas a se identificarem, a declararem os seus objetivos e a registarem os contactos que mantêm com decisores. A ideia não é vigiar, mas sim clarificar, permitindo que a informação relevante seja acessível e sujeita a escrutínio.
A mudança é cultural e implica que entidades privadas deixem a informalidade de lado e assumam publicamente as suas ações. É fundamental distinguir o lobby do tráfico de influências, que é regulado pelo Direito Penal. O lobby envolve a apresentação de diferentes realidades e interesses, enquanto o tráfico de influências se centra no abuso de poder.
As entidades que podem fazer lobby incluem ONGs, associações, empresas, nacionais ou estrangeiras, e até indivíduos que atuem em nome próprio, desde que o façam de forma profissional. Esta nova abordagem obriga os decisores públicos a reconhecer que as suas interações têm consequências e que a influência é uma parte inevitável do processo político, desde que ocorra de forma transparente.
A eficácia deste novo regime de lobby dependerá da simplicidade do sistema e da capacidade de fiscalização. Se não for bem implementado, poderá tornar-se apenas mais um ritual burocrático, como muitos outros que já existiram em Portugal. No entanto, se for bem-sucedido, poderá transformar a relação entre interesses privados e decisões públicas, reforçando a confiança numa sociedade onde a transparência é cada vez mais necessária.
Em suma, o novo regime de lobby não promete milagres, mas sim uma operação democrática mais clara e rigorosa, com menos zonas de sombra. A partir de julho, a pergunta “Are you lobbying to me?” poderá ser respondida com mais segurança: “Yes, I’m talking to you”.
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Fonte: ECO





