A Agência Espacial Europeia (ESA) anunciou que conseguiu retomar o contacto com o Coronagraph, um dos satélites da missão Proba-3, após mais de um mês de silêncio. Esta recuperação foi possível graças à colaboração das empresas portuguesas Tekever e Neuraspace, que desempenharam papéis cruciais na monitorização e comunicação entre os satélites.
Os satélites Coronagraph e Occulter foram lançados em dezembro de 2024 a partir da Índia e estão em órbita a cerca de 150 metros de distância um do outro. O objetivo da missão Proba-3 é criar um “eclipse solar” artificial, permitindo a observação prolongada da atmosfera do Sol, conhecida como coroa. Esta observação é vital, uma vez que a coroa só é visível durante breves momentos de eclipses solares totais na Terra.
A Tekever, que lidera o consórcio responsável pelo subsistema de Inter-Satellite Link (ISL), foi fundamental para restabelecer a ligação entre os satélites. Pedro Rodrigues, diretor de Espaço da Tekever, explicou que a empresa desenvolveu o hardware e software que permite a comunicação em tempo real entre o Coronagraph e o Occulter. Sem essa ligação precisa, a missão Proba-3 não conseguiria manter a formação necessária para criar o eclipse solar.
A perda de contacto entre os satélites é um dos maiores riscos numa missão de voo em formação. Quando os satélites não conseguem comunicar, a missão pode ficar em risco, aumentando a probabilidade de colisão. O sistema da Tekever foi essencial para reativar a comunicação, permitindo que as equipas de solo sincronizassem os sistemas de navegação e controlo, garantindo informações precisas sobre a localização dos satélites.
Pedro Rodrigues destacou que este trabalho é o resultado de mais de dez anos de dedicação da equipa da Tekever, que esteve envolvida em todas as fases da missão, desde o design até ao suporte operacional após o lançamento. A Tekever tem uma relação contínua e estratégica com a ESA, participando em vários projetos, incluindo a missão HERA e o projeto ATLARCTIC.
Além da Tekever, a Neuraspace também contribuiu para a recuperação do contacto, utilizando a sua rede de telescópios terrestres para monitorizar a órbita dos satélites. Nuno Sebastião, fundador da Neuraspace, afirmou que a equipa ficou satisfeita por ajudar a ESA, fornecendo dados essenciais para a sincronização dos comandos de recuperação.
Este episódio ilustra a importância da colaboração entre empresas tecnológicas e agências espaciais na exploração do espaço. A missão Proba-3 é um exemplo claro de como a tecnologia portuguesa está a contribuir para a ciência espacial. Leia também: “A importância da tecnologia nacional na exploração espacial”.
missão Proba-3 Nota: análise relacionada com missão Proba-3.
Leia também: Nunca é tarde para começar a investir: dicas essenciais
Fonte: ECO





