O conflito entre os Estados Unidos e o Irão intensifica-se, com milhares de mortos e milhões de deslocados, levando a uma crise de preços que pode transformar-se numa crise de abastecimento se a situação se prolongar. Este conflito, que já dura 20 dias, está a causar perturbações significativas no estreito de Ormuz, afetando o abastecimento de energia e aumentando o risco de uma subida acentuada nos preços dos combustíveis.
As repercussões são sentidas em toda a Europa, onde os governos estão a mobilizar centenas de milhares de milhões de euros em apoios a famílias e empresas. O comissário europeu Dombrovskis alertou que a situação pode levar a um “choque de estagflação”, o que poderia resultar em mudanças na política monetária. O Banco Central Europeu (BCE) poderá aumentar as taxas de juro no verão, enquanto a Reserva Federal dos EUA (Fed) poderá reduzir as taxas em dezembro.
As preocupações são variadas e incluem ciberataques, terrorismo e a volatilidade económica que afeta todo o bloco europeu. Historicamente, a duplicação do preço do petróleo está associada a recessões globais. Atualmente, isso corresponderia a um preço entre 120 e 140 dólares por barril. O petróleo Brent já atingiu o limite inferior dessa faixa e subiu mais de 40% desde o início do conflito. Além disso, o preço do gás na Europa disparou 35% numa única jornada.
A crise de preços não se limita apenas à energia. Até 30% das exportações mundiais de fertilizantes passam pelo estreito de Ormuz, e o aumento dos preços destes produtos ameaça a segurança alimentar e complica o controle da inflação. O impacto é global e a situação é agravada pelo encerramento de uma via marítima crítica entre o golfo de Omã e o golfo Pérsico.
Os economistas estão a alertar que é cada vez mais difícil sustentar que a crise de preços será temporária. A volatilidade nos mercados está a dificultar a estabilidade, e a guerra no Médio Oriente está a provocar a maior interrupção no fornecimento de petróleo da história. O Irão, por sua vez, parece interessado em prolongar a crise económica e política para pressionar os Estados Unidos.
Para Bruxelas, este conflito não é apenas uma questão de política externa, mas uma ameaça direta à estabilidade da União Europeia. O Fundo Monetário Internacional (FMI) já avisou que cada aumento de 10% no preço do petróleo pode adicionar 0,4 pontos percentuais à inflação global e reduzir o PIB mundial em até 0,2%. A economia global enfrenta um futuro incerto, com a necessidade urgente de uma solução política que permita retomar o tráfego marítimo sem uma crise petrolífera ainda maior.
A única forma de evitar uma crise de preços mais profunda é negociar uma solução com o Irão, mas, neste momento, essa possibilidade parece distante. Com a Europa focada em aliviar a tensão na região, os desdobramentos no Médio Oriente vão testar a resiliência da economia europeia.
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Fonte: Sapo





