Bloqueio do Estreito de Ormuz reduz tráfego de navios a 5%

O bloqueio do Estreito de Ormuz, resultado do conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irão, tem gerado uma significativa redução no tráfego de navios. Desde o início das hostilidades, apenas 116 navios, entre cargueiros e petroleiros, conseguiram atravessar esta importante via marítima entre 1 e 19 de março. Este número representa uma queda alarmante de 95% em comparação com os períodos de paz, de acordo com o observatório Kpler, com sede em Paris.

Dentre as travessias, 71 foram realizadas por petroleiros, sendo que mais de metade destes estava carregada. A maioria dos navios que ainda navegam pelo estreito são de bandeira iraniana, mas também se registou a presença de navios gregos e chineses, que representaram 18% e 10% das travessias, respetivamente. Richard Meade, editor-chefe da Lloyd’s List, destacou que o tráfego é assegurado principalmente por graneleiros, petroleiros e porta-contentores.

Apesar do Irão continuar a controlar o estreito e a exportar petróleo, o tráfego geral permanece paralisado. Desde o início do conflito, mais de um terço dos navios que transitam pelo estreito estão sujeitos a sanções impostas pelos Estados Unidos, Europa e Reino Unido. A situação é ainda mais complicada, uma vez que mais de metade dos petroleiros e metaneiros que cruzam a região estão sob estas sanções.

Os analistas do banco JPMorgan indicam que a maior parte do petróleo que passa pelo Estreito de Ormuz tem como destino a Ásia, especialmente a China. Cichen Shen, editor-chefe da Lloyd’s List para a região Ásia-Pacífico, revelou que há indícios de que as autoridades chinesas estão a desenvolver um plano para facilitar a passagem dos seus petroleiros bloqueados.

A consultora marítima Clarksons também relatou que alguns navios estão a seguir rotas mais próximas da costa iraniana, com a aparente “aprovação” do Irão. Vários países, incluindo China, Índia, Paquistão, Iraque e Malásia, estão em negociações com Teerão para coordenar as passagens de navios com os Guardas da Revolução Islâmica.

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O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araqchi, afirmou que o Irão está disposto a facilitar a passagem de navios japoneses pelo Estreito de Ormuz, desde que haja coordenação com Teerão. Araqchi sublinhou que, embora o Irão tenha imposto restrições, não fechou a via estratégica e está preparado para garantir uma passagem segura a países como o Japão, que dependem fortemente do petróleo do Médio Oriente.

A situação no Estreito de Ormuz continua a ser uma preocupação central para o comércio global e para a segurança energética, uma vez que cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito mundial transita por esta rota em tempos de paz. A continuidade do bloqueio poderá ter repercussões significativas nos mercados internacionais e nas economias dependentes do petróleo.

Leia também: O impacto das sanções no comércio marítimo global.

Estreito de Ormuz Nota: análise relacionada com Estreito de Ormuz.

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Fonte: Sapo

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