A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) expressou preocupações sobre o impacto que a escalada do conflito no Médio Oriente poderá ter nos preços dos alimentos. Luís Mira, secretário-geral da CAP, sublinhou que, se a situação se prolongar, os custos de produção poderão aumentar significativamente, refletindo-se nos preços finais dos produtos.
Mira destacou que o mercado dos combustíveis não é regulável, mas é crucial que sejam implementadas compensações para os agricultores que dependem do gasóleo. Este combustível representa entre 60% a 70% do consumo na agricultura, e o aumento dos preços não deve resultar em um aumento da receita fiscal do Estado. Mesmo com o desconto no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP), a receita do Estado poderá aumentar em 10% devido à subida dos preços, o que a CAP considera inaceitável.
O secretário-geral da CAP alertou que a situação pode agravar-se, especialmente se o conflito resultar em ataques a infraestruturas de refinação. A produção agrícola tornará-se mais cara, o que, por sua vez, elevará os preços dos alimentos. “A guerra vai durar quanto tempo? Esta é a questão que muda a equação e o impacto”, questionou Mira.
Além dos combustíveis, a CAP também destacou a dependência de adubos provenientes da região em conflito, com cerca de 25% dos adubos utilizados na agricultura a virem do Médio Oriente. A produção global de alimentos é fortemente dependente destes insumos, e a possibilidade de redirecionar as compras poderá resultar em aumentos de preços.
Os impactos indiretos também são significativos. Por exemplo, o setor dos pequenos frutos, que depende de exportações aéreas para os Emirados, poderá ver as suas rotas suspensas devido ao conflito, afetando os preços. O aumento dos custos dos adubos está a levar agricultores americanos a mudar a produção de milho para soja, o que pode ter repercussões nos preços a nível global, incluindo em Portugal.
A Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal (Confagri) também se manifestou sobre a situação. Nuno Serra, secretário-geral da Confagri, afirmou que o aumento dos combustíveis terá consequências diretas nos custos de produção, como gasóleo, energia e fertilizantes, o que inevitavelmente afetará o preço dos produtos agroalimentares. “Sem medidas públicas extraordinárias, estes aumentos chegarão ao bolso dos consumidores”, alertou.
A pressão sobre o setor agrícola deverá aumentar à medida que o conflito se prolonga, especialmente se não houver uma solução para a questão dos combustíveis. A possibilidade de bloqueios na cadeia de abastecimento alimentar poderá também impactar os preços dos produtos agrícolas, uma realidade que já se começa a sentir em várias partes do mundo.
Os recentes ataques militares dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, em resposta à inflexibilidade nas negociações sobre o programa nuclear iraniano, têm exacerbado a situação. Desde o final de fevereiro, os preços de vários produtos alimentares têm registado aumentos significativos, refletindo a instabilidade no mercado.
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Fonte: Sapo





