A Associação Portuguesa de Produtores de Bioenergia (APPB) expressou a sua preocupação com o aumento significativo dos preços do gás, que se duplicaram em apenas uma semana devido ao conflito no Médio Oriente. Este cenário sublinha a necessidade urgente de Portugal avançar com o Plano de Ação para o Biometano 2024-2040, que foi aprovado em março de 2024.
As cotações internacionais do gás, que se mantinham entre 30 e 40 euros/MWh, dispararam na sequência da instabilidade no Irão e nas regiões circundantes, além do bloqueio do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. Jaime Braga, secretário-geral da APPB, critica a falta de ação nos últimos dois anos, afirmando que “esta situação vem salientar a urgência de acelerar o previsto no Plano de Ação para o Biometano”.
O biometano é uma alternativa viável para a descarbonização do gás, sendo neutro em carbono e compatível com o gás natural e os equipamentos de queima existentes. Braga defende que esta solução representa uma transição energética justa e necessária, que deve ser adotada com maior celeridade.
Atualmente, a energia renovável de origem biológica representa 20% do consumo total em Portugal, com destaque para os setores do papel e dos biocombustíveis. Apesar do biometano ser, neste momento, mais caro do que o gás natural, Jaime Braga acredita que a diferença de preços poderá diminuir. “Com as atuais cotações internacionais do gás, a diferença será, seguramente, menor”, afirma.
Além disso, o secretário-geral da APPB destaca que a nova cotação do gás, aliada à valorização das emissões que deixam de existir e à quantificação dos benefícios do aproveitamento de resíduos, poderá aproximar os custos de produção do biometano dos preços do gás natural. A APPB considera que a redução da dependência externa e a mitigação das crises nos mercados energéticos são essenciais para a economia nacional e para a criação de emprego.
“Ganham as pessoas, ganha a economia, ganha o país”, conclui Jaime Braga. Para 2026, a APPB definiu como prioridades a transposição da Diretiva das Energias Renováveis (RED III) para a legislação nacional e a implementação de um mercado de biometano, com o objetivo de diminuir a dependência do gás em setores industriais, como a cerâmica e o vidro. A associação conta atualmente com a participação de empresas como Biovegetal, Fábrica Torrejana, Grupo Floene, Iberol, Rega Energy e Sovena.
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Fonte: ECO





