A transformação do trabalho deixou de ser uma mera previsão e tornou-se uma realidade palpável. Esta foi a mensagem central da conferência “Reprogramar o Trabalho”, realizada em Lisboa e organizada pelo ECO. Durante o evento, destacou-se o papel da Inteligência Artificial (IA) como uma tecnologia de propósito geral, com um impacto significativo em diversos setores, desde a indústria até aos serviços.
Neste contexto, é fundamental reconhecer que o maior desafio não reside na tecnologia em si, mas sim na falta de competências digitais que permita aos trabalhadores acompanhar esta evolução. A Europa enfrenta um paradoxo preocupante: apesar de dispor de investigação de excelência e universidades de renome, cerca de 44% dos europeus não possuem competências digitais básicas. Além disso, menos de 10% das empresas utilizam a IA de forma avançada. Este desfasamento entre a capacidade tecnológica e a preparação dos recursos humanos representa um dos principais obstáculos à competitividade europeia.
A questão não é se a Inteligência Artificial irá transformar o trabalho, mas sim se os sistemas educativos, o mercado de trabalho e as políticas públicas estão preparados para esta mudança. Portugal, por exemplo, possui um ecossistema tecnológico em crescimento e um potencial humano significativo. No entanto, para se afirmar como um país mais inovador e adaptado às novas realidades, é essencial reforçar as competências digitais. Isso implica uma maior aproximação entre universidades e empresas, bem como um apoio à digitalização das pequenas e médias empresas.
A resposta a este desafio deve ser estrutural. É necessário investir na literacia digital, na formação avançada e na valorização de competências humanas, como o pensamento crítico, a criatividade e a capacidade de decisão. Numa economia em constante transformação, aprender ao longo da vida deixou de ser uma opção e tornou-se uma necessidade imperativa.
A Europa também tem procurado liderar em termos regulatórios. O AI Act, ou Regulamento Europeu da Inteligência Artificial, estabelece normas claras para garantir que a inovação decorra de forma segura, transparente e em respeito pelos direitos fundamentais. Essa abordagem visa reforçar a confiança na tecnologia e proteger a democracia.
Contudo, sem um investimento consistente na aprendizagem ao longo da vida, nenhuma estratégia será verdadeiramente eficaz. A transformação do trabalho é também uma questão social. Sem políticas adequadas, há o risco de agravamento das desigualdades e de exclusão de trabalhadores. Por isso, a transição digital deve ser justa e inclusiva.
Em última análise, o futuro do trabalho não será definido apenas pela tecnologia, mas pela maneira como preparamos as pessoas para a utilizar.
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competências digitais Nota: análise relacionada com competências digitais.
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Fonte: ECO





