Na manhã de 23 de março, poucos minutos antes de Donald Trump fazer um anúncio que mudaria o rumo dos mercados, alguém conseguiu lucrar de forma significativa com transações financeiras. O presidente dos Estados Unidos publicou na sua rede social, Truth Social, que ordenou a suspensão dos ataques militares às infraestruturas iranianas e que os dois países estavam em negociações. Este anúncio teve um impacto imediato e profundo nos mercados.
Cerca de cinco minutos antes da publicação, foram comprados 1,5 mil milhões de dólares em futuros do S&P 500 e vendidos 192 milhões de dólares em futuros de petróleo. Este tipo de movimentação, que envolve grandes quantidades de dinheiro em um curto espaço de tempo, é raro e levanta questões sobre a possibilidade de insider trading. O analista Adam Cochran, através da rede social X, destacou que as ordens de compra e venda eram entre quatro a seis vezes superiores ao normal para aquele período, que é tipicamente caracterizado por baixa liquidez.
O anúncio de Trump, feito por volta das 7h05 em Nova Iorque, provocou uma reação imediata nos mercados. Os futuros do S&P 500 dispararam mais de 2,5%, enquanto os futuros do petróleo WTI caíram cerca de 6%. Aqueles que realizaram as transações minutos antes do anúncio viram os seus investimentos valorizarem-se rapidamente, o que levanta ainda mais suspeitas sobre a legalidade dessas operações.
A questão do insider trading não é nova no contexto das relações entre os EUA e o Irão. Em março, a organização de defesa do consumidor Public Citizen pediu uma investigação à Commodity Futures Trading Commission (CFTC) sobre apostas suspeitas na plataforma de mercados de previsão Polymarket, feitas momentos antes de um ataque norte-americano ao Irão. Um utilizador anónimo, conhecido como “Magamyman”, conseguiu lucrar 553 mil dólares ao apostar na saída do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, pouco antes de um ataque que confirmou a sua morte.
Embora a CFTC e a Securities and Exchange Commission (SEC) não tenham confirmado qualquer investigação sobre as transações relacionadas com o anúncio de Trump, o secretário do Interior dos EUA, Doug Burgum, admitiu que a administração Trump discutiu a possibilidade de negociar futuros de petróleo como estratégia para controlar os preços do crude. Contudo, ele não confirmou que tal estratégia tenha sido implementada.
O Irão, por sua vez, negou ter realizado conversações diretas ou indiretas com Washington, o que coloca em dúvida a veracidade do anúncio de Trump. Este episódio é mais um exemplo de um padrão crescente de suspeitas em torno de negociações nos mercados financeiros que antecedem anúncios sensíveis da Casa Branca. A natureza opaca dos mercados de futuros torna difícil provar o insider trading sem acesso a informações privilegiadas, algo que apenas os reguladores podem obter.
Por agora, a questão permanece sem resposta: quem sabia o quê e quando soube? A especulação continua, e a necessidade de uma investigação formal é cada vez mais evidente.
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Fonte: ECO





