O Banco de Portugal divulgou recentemente dados sobre a exposição do setor bancário a concelhos que se encontram em situação de calamidade devido à tempestade Kristin. De acordo com o relatório “Sistema Bancário Português: Desenvolvimentos recentes do 4º trimestre de 2025”, os bancos têm um total de 34 mil milhões de euros em empréstimos a estas áreas, o que levanta preocupações sobre potenciais riscos futuros.
A exposição da banca em relação a empresas nos concelhos afetados é de 13,5 mil milhões de euros, representando 18,5% do crédito total a empresas em Portugal. Deste montante, 4,1 mil milhões de euros estão associados a empréstimos garantidos por ativos fixos, como imóveis e equipamentos. Por outro lado, a exposição ao crédito à habitação atinge 20,8 mil milhões de euros, correspondendo a 18,7% do total de crédito à habitação no país.
O Banco de Portugal analisou 90 concelhos que foram declarados em “calamidade” devido às tempestades que ocorreram em janeiro e fevereiro, resultando em perdas económicas significativas. Embora a exposição da banca não indicasse, até ao momento, um nível de risco superior ao da carteira total de empréstimos, a situação atual poderá alterar essa realidade. O banco central destaca que os canais de contágio incluem a destruição de ativos físicos e a interrupção das cadeias de valor, afetando tanto empresas como particulares.
A análise revela que as empresas localizadas nestes concelhos representam 20% do total das empresas em Portugal, contribuindo com 16% do valor acrescentado bruto (VAB) nacional. O setor industrial, em particular, tem um peso significativo, com 36% do VAB nestas áreas, comparado com 21% a nível nacional. As maiores concentrações de empréstimos a empresas estão em Leiria, com 1,1 mil milhões de euros, e Coimbra, com 600 milhões.
Em relação aos particulares, o perfil de risco dos empréstimos à habitação é semelhante ao do total nacional antes da tempestade. Os concelhos afetados representam 22% da população residente em Portugal, mas apresentam um rendimento médio anual inferior ao do país. O Banco de Portugal lembra que o Governo implementou várias medidas de apoio, incluindo moratórias de crédito e linhas de crédito com garantia pública, para ajudar na recuperação das áreas afetadas.
As estimativas preliminares indicam que os prejuízos totais das tempestades poderão ultrapassar os 5 mil milhões de euros, com uma parte significativa não coberta por seguros. O banco central também nota que, apesar da resiliência do sistema bancário em 2025, os riscos para a estabilidade financeira aumentaram no início de 2026, devido a tensões geopolíticas e incertezas económicas.
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Fonte: Sapo





