Maria, hospedeira da Emirates Airlines, vive num condomínio no Dubai, um espaço que deveria ser sinónimo de estabilidade e conforto. Contudo, a sua realidade mudou drasticamente com os recentes conflitos na região. Alertas de emergência no telemóvel e explosões ao longe tornaram-se parte do seu dia a dia, refletindo a crescente insegurança que afeta não só a sua vida, mas também a indústria da aviação no Médio Oriente.
A crise na aviação é palpável, com cortes salariais e incertezas quanto aos prémios anuais a afetar os trabalhadores. Maria, que antes realizava cerca de 100 horas de voo por mês, viu esse número reduzir para apenas 30 horas, o que representa um terço do habitual. O seu salário, que ronda os três mil euros mensais, pode sofrer cortes significativos, colocando em risco a sua estabilidade financeira.
Antes do início do conflito, cerca de três mil aviões levantavam voo diariamente das companhias Emirates, Qatar Airways e Etihad. Atualmente, esse número caiu para menos de mil, evidenciando a gravidade da situação. A gestão do trabalho é feita através de uma aplicação que organiza os horários dos tripulantes, mas a expectativa constante sobre a quantidade de trabalho disponível gera ansiedade.
Os contratos de trabalho têm uma duração de três anos, mas a incerteza é uma constante. “Ver colegas a despedirem-se é algo comum”, partilha Maria. A comunicação interna nas companhias aéreas tem sido intensificada, com managers a promover videochamadas para esclarecer dúvidas e reforçar procedimentos de segurança. A Emirates, em resposta a questões do Jornal Económico, optou por não comentar a situação atual.
A aviação é um pilar fundamental da economia dos Emirados Árabes Unidos, e a Emirates é uma marca de renome mundial. Contudo, a crise na aviação está a provocar um impacto significativo. As 20 maiores companhias aéreas cotadas em bolsa perderam cerca de 53 mil milhões de dólares em valor de mercado, refletindo a preocupação dos investidores com a duração e as consequências económicas do conflito.
Os tripulantes portugueses que trabalham no Médio Oriente não estão a considerar um regresso a Portugal, mas a pressão aumenta. O prolongamento dos tempos de voo, que antes eram de oito horas e agora podem ultrapassar as doze, é um dos principais fatores de stresse. A fadiga acumulada exige que a tripulação mantenha um elevado nível de profissionalismo, mesmo em circunstâncias adversas.
Carlos, outro comissário de bordo, vive próximo do aeroporto do Dubai e também sente os efeitos da crise na aviação. Com apenas três voos realizados em março, a sua carga de trabalho e, consequentemente, o seu salário diminuíram. A redução no número de passageiros leva a uma diminuição da equipa necessária em cada voo, aumentando a incerteza sobre o futuro.
Enquanto o conflito se prolonga, o regresso à normalidade na aviação do Médio Oriente permanece incerto. A vida dos tripulantes é marcada pela insegurança e pela dependência de fatores que estão fora do seu controlo. Leia também: O impacto da crise económica nas companhias aéreas.
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Fonte: Sapo





