Petróleo a 100 dólares pode reduzir crescimento do PIB português

O preço do petróleo, que ultrapassou os 100 dólares por barril, pode ter um impacto significativo no crescimento do PIB de Portugal, podendo reduzi-lo para metade até 2026. Esta previsão alarmante surge de uma análise da BA&N Research Unit, divulgada recentemente.

O relatório intitulado “Petróleo – Impacto na economia” destaca que o preço do Brent já subiu 88% desde o início do ano, atingindo um pico de 119,5 dólares em março. Este aumento representa uma ameaça real ao cenário macroeconómico previsto no Orçamento do Estado, que considerava uma cotação média de 65,4 dólares para 2026. Para que essa meta se concretize, o preço do petróleo teria de cair para uma média de apenas 63 dólares até ao final do ano, um cenário que a análise considera “inverosímil”.

A BA&N Research Unit apresenta três modelos de análise de sensibilidade. De acordo com o modelo do Governo, um preço do petróleo a 100 dólares pode subtrair 0,3 pontos percentuais ao crescimento do PIB. Se o preço subir para 120 dólares, a perda aumenta para 0,4 pontos percentuais, e a 150 dólares, pode chegar a 0,6 pontos percentuais. O modelo do Banco Central Europeu é ainda mais severo, prevendo perdas de 0,4 pontos percentuais a 100 dólares e até 0,9 pontos percentuais a 150 dólares. O modelo do Fundo Monetário Internacional (FMI) é o mais pessimista, prevendo uma redução de 1,1 pontos percentuais ao crescimento a 100 dólares.

Se o preço do petróleo se mantiver acima dos 100 dólares durante o restante do ano, o impacto negativo no PIB português poderá variar entre 0,3 e 1,1 pontos percentuais, dependendo do modelo utilizado. No cenário mais pessimista, o crescimento do PIB poderia cair de 2,3% (previsão oficial) para apenas 1,2%, o que representaria o valor mais baixo desde 2014, excluindo o período da pandemia.

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Mesmo que o conflito no Médio Oriente não se prolongue além do segundo trimestre, é provável que os preços do petróleo não voltem aos níveis anteriores à guerra. As infraestruturas energéticas da região estão a ser alvo de ataques, o que terá consequências duradouras na oferta. A BA&N Research Unit alerta que, se a análise do FMI se confirmar, o choque energético poderá ser tão significativo que obrigaria o Governo a rever as suas previsões orçamentais.

Com o preço do Brent a negociar atualmente acima dos 100 dólares e sem sinais claros de desescalada no conflito, a economia portuguesa, que depende fortemente de importações energéticas, corre o risco de enfrentar o pior crescimento desde a saída do programa de assistência financeira internacional. A fatura energética, que já tinha diminuído para 5,7 mil milhões de euros em 2024, poderá voltar a disparar, como aconteceu em 2022, quando o saldo energético negativo atingiu 11,7 mil milhões de euros.

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preço do petróleo Nota: análise relacionada com preço do petróleo.

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Fonte: Sapo

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