O futuro do MBA: investimento em formação ou declínio?

Durante muitos anos, o MBA foi considerado o bilhete de entrada para cargos de liderança nas empresas. Contudo, a questão que se coloca atualmente é se este investimento em tempo, dinheiro e energia continua a ser justificado. O que realmente procuram as empresas? A resposta parece depender do momento da carreira e das necessidades específicas de cada organização.

Rafael Rocha, diretor-geral da CIP – Confederação Empresarial de Portugal, defende que o MBA ainda desempenha um papel importante, especialmente nas fases iniciais ou intermédias da carreira. Profissionais com três a oito anos de experiência, frequentemente oriundos de áreas técnicas como engenharia ou ciências, encontram neste tipo de formação uma oportunidade valiosa para adquirir uma visão integrada da gestão e consolidar competências essenciais.

No entanto, Rocha sublinha que a adequação de um MBA deve ser avaliada em função do momento de carreira do participante e dos desafios que enfrenta. Para gestores mais experientes ou empresários com um percurso já consolidado, a formação contínua pode ser mais benéfica quando se baseia em programas executivos, de duração mais curta e com uma forte componente prática, focando em temas específicos e atuais da gestão.

Áreas como liderança em contextos de incerteza, tomada de decisão em ambientes complexos, transformação organizacional, governança, inovação e inteligência artificial são, segundo Rocha, essenciais para responder às exigências atuais das organizações.

Benvinda Catarino, diretora de Formação e Desenvolvimento Empresarial da AIP, também reconhece que, apesar do MBA continuar a ser valorizado pelos empregadores, há um discurso crescente sobre o seu declínio. Este fenómeno deve-se, em parte, à incapacidade das escolas de negócios em acompanhar as rápidas transformações nas lideranças. Num mundo marcado por tensões geopolíticas, instabilidade económica e crises climáticas, os programas de MBA precisam de evoluir. Catarino defende que é crucial integrar competências como o domínio da inteligência artificial, análise de dados e liderança de equipas multiculturais, promovendo a resiliência e a antecipação estratégica na tomada de decisão.

Leia também  O impacto real dos CEOs no desempenho das empresas

Outro aspecto que distingue os MBA é a rede de contactos que proporcionam. Para muitos profissionais, especialmente aqueles com ambições internacionais, esta componente relacional pode ser um ativo decisivo, abrindo portas a novas oportunidades de negócio e progressão na carreira. Contudo, o conceito de MBA está a evoluir. A ideia de um programa fixo está a dar lugar a um modelo mais flexível e contínuo.

Catarino sugere que o MBA deve evoluir para um modelo de aprendizagem ao longo da vida, com especializações que acompanhem as diferentes fases da carreira. Rafael Rocha conclui que, embora o MBA mantenha a sua relevância no ecossistema de formação de executivos, não deve ser visto como uma solução única para todos os perfis. A escolha da formação deve ser sempre criteriosa, estratégica e ajustada às necessidades concretas de cada gestor ou empresário, bem como às prioridades de transformação e competitividade das empresas.

Leia também: O impacto da formação contínua na carreira profissional.

Leia também: Razões para Fazer um MBA: Oportunidades e Benefícios

Fonte: Sapo

Simular quanto pode poupar nos seus seguros!

Não percas as principais notícias e dicas de Poupança

Não enviamos spam! Leia a nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Back To Top