O deputado socialista António Mendonça Mendes manifestou hoje a sua indignação em relação à postura do Governo, que, segundo ele, tem estado a colaborar com o Chega ao longo do ano, apenas para, no final, solicitar ao Partido Socialista (PS) que viabilize o Orçamento do Estado (OE). Durante a sua intervenção no 25.º Congresso Nacional do PS, Mendonça Mendes afirmou que a aliança entre o Chega e o Governo é evidente, especialmente nas decisões legislativas, exceto quando se trata da votação do OE.
Mendonça Mendes sublinhou que o Orçamento do Estado é uma questão de responsabilidade e maturidade política. Para ele, é fundamental que o PS exija do Governo a mesma responsabilidade que este espera do partido. “O Governo não pode estar constantemente a pedir responsabilidade ao PS sem demonstrar essa mesma responsabilidade nas suas ações”, afirmou.
O deputado lembrou que os eleitores não confiaram na Aliança Democrática (AD) nas últimas eleições, o que levou a uma gestão irresponsável do excedente orçamental deixado pelo anterior governo socialista. Este desvio, segundo ele, resultou na incapacidade do Governo em apoiar aqueles que perderam as suas casas devido a tempestades ou em responder adequadamente ao aumento dos preços dos combustíveis.
Além disso, Mendonça Mendes acusou o Governo de ter mentido sobre a situação da Segurança Social, referindo que o secretário-geral do PS tinha razão ao afirmar que havia um saldo escondido de mil milhões de euros. “Agora que os resultados estão à vista, o Governo deve pedir desculpa a José Luís Carneiro”, disse.
Eduardo Cabrita, ex-ministro da Administração Interna, também se pronunciou sobre a situação política atual, criticando o PSD por, segundo ele, trair os princípios constitucionais estabelecidos em 1975. Cabrita alertou que a aproximação do PSD à extrema-direita pode comprometer os 50 anos de democracia em Portugal.
Alexandra Leitão, vereadora da Câmara de Lisboa, juntou-se às críticas, afirmando que a direita tem uma intenção clara de tentar marginalizar o PS. “Com o centro político tão inclinado para a direita, até os sociais-democratas mais moderados podem ser considerados radicais”, advertiu. Leitão destacou que o grande desafio do PS é reconquistar a confiança do eleitorado, demonstrando que é uma alternativa justa e progressista face à governação da direita e da extrema-direita.
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Fonte: ECO





