A guerra em curso tem gerado uma série de impactos significativos no mercado de petróleo e na economia global. O presidente dos Estados Unidos enfrenta um dilema entre o calendário eleitoral, com as eleições intercalares a aproximarem-se, e a necessidade de manter a sua imagem intacta. Para os EUA, o ideal seria que o conflito terminasse rapidamente, especialmente para que Donald Trump possa preservar a sua reputação. Por outro lado, Israel parece estar mais focado em resultados militares, buscando destruir a capacidade bélica do seu adversário.
A Arábia Saudita, por sua vez, tem beneficiado do prolongamento do conflito, uma vez que consegue desviar até cinco milhões de barris de petróleo por dia, aumentando assim as suas receitas. Com um preço do Brent a 110 dólares por barril, a Arábia Saudita poderia ver um aumento de 5% no seu PIB. Este cenário é ainda mais interessante devido à rivalidade com o Irão.
O Irão, que sempre teve a capacidade de fechar o estreito de Ormuz, parece finalmente disposto a utilizar essa estratégia, o que poderia ter consequências devastadoras para a economia global. Esta opção é vista como mais aceitável pela comunidade internacional em comparação com o uso de armamento nuclear, e os seus efeitos poderiam ser muito mais abrangentes.
Embora os EUA e Israel pareçam estar a ganhar em termos militares convencionais, o regime iraniano está a lutar pela sua sobrevivência, o que lhe confere uma maior capacidade de suportar os custos da guerra. Curiosamente, o Irão tem conseguido exportar petróleo a preços elevados, o que ajuda a financiar os seus esforços. Alguns analistas acreditam que o Irão poderá até prolongar o fecho do estreito de Ormuz mesmo após o fim das hostilidades.
Em suma, a duração desta guerra pode ser limitada, uma vez que a pressão eleitoral nos EUA deverá levar a um cessar-fogo, mesmo que isso implique concessões significativas. Os impactos da guerra estendem-se a diversos bens, incluindo petróleo, gás natural e fertilizantes, e têm ramificações políticas que afetam a ordem internacional.
No que diz respeito aos combustíveis, existem reservas suficientes para evitar rupturas de abastecimento, e a subida dos preços pode levar a uma diminuição da procura, ajudando a reequilibrar o mercado. Contudo, a situação dos fertilizantes é mais complicada, especialmente nesta época do ano, pois a sua escassez pode ter efeitos negativos nos preços dos produtos agrícolas.
Se a subida dos preços da energia for revertida até ao verão, é improvável que haja consequências económicas significativas. Muitos aumentos de preços poderão ser revertidos, limitando o impacto sobre a inflação. A experiência da pandemia mostrou que, mesmo com uma inflação a rondar os 10%, as expectativas de inflação a longo prazo não foram afetadas. Assim, os bancos centrais poderão não ter necessidade de agir de forma drástica.
Por fim, o maior risco poderá ser a escolha da próxima “aventura” de Trump, conforme alertou Simon Johnson. A Europa, que não possui uma arma equivalente ao estreito de Ormuz ou às terras raras da China, encontra-se numa posição vulnerável, especialmente com a Ucrânia a precisar de apoio militar e de informações dos EUA.
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Fonte: Sapo





