O Presidente da República, António José Seguro, expressou a sua profunda preocupação face ao impedimento imposto pelas autoridades israelitas ao Patriarca Latino de Jerusalém, cardeal Pierbattista Pizzaballa, de celebrar a missa de Domingo de Ramos no Santo Sepulcro. Esta situação, que ocorreu pela primeira vez em séculos, foi revelada pelo Patriarcado Latino, que denunciou a ação da polícia israelita.
Na nota divulgada pela Presidência da República, António José Seguro sublinhou que este facto afeta não apenas a comunidade cristã local, mas também o princípio universal da liberdade religiosa, que é um pilar fundamental das sociedades democráticas e está consagrado no direito internacional. O Presidente enfatizou que a livre prática do culto, especialmente em locais de grande significado histórico e espiritual, deve ser garantida e respeitada por todas as autoridades.
O chefe de Estado português manifestou a sua firme reprovação pelo impedimento, considerando-o injustificado e contrário aos compromissos internacionais de proteção da liberdade religiosa. Além disso, lembrou que Portugal acompanha com atenção a situação em Jerusalém e apelou ao respeito integral pelos direitos das comunidades religiosas, bem como à preservação do acesso livre e seguro aos lugares sagrados, que são parte do património espiritual da humanidade.
Neste contexto delicado, António José Seguro destacou a importância do diálogo, da contenção e do respeito mútuo como caminhos indispensáveis para a paz e a dignidade humana na região. O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal também se manifestou, condenando a ação da polícia israelita e exortando as autoridades a garantirem a liberdade de religião e de culto.
O Patriarcado Latino de Jerusalém informou que tanto o cardeal Pizzaballa quanto o padre da Igreja do Santo Sepulcro foram impedidos de entrar na igreja durante uma deslocação a título privado, sendo obrigados a voltar atrás. Este incidente é considerado um grave precedente e demonstra uma falta de consideração pela sensibilidade de milhões de pessoas que, nesta semana, olham para Jerusalém.
O governo israelita justificou a sua decisão com motivos de segurança, citando restrições impostas pelo exército em resposta a potenciais ameaças. No entanto, a contestação internacional tem sido forte, com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, a classificar o impedimento como uma ofensa à liberdade religiosa. Outros líderes internacionais, incluindo o presidente francês Emmanuel Macron e autoridades da Jordânia, Espanha e Brasil, também condenaram a ação.
O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, descreveu o incidente como um “lamentável abuso de poder”. Em resposta, o presidente de Israel, Isaac Herzog, contatou o cardeal Pizzaballa para expressar o seu pesar e reafirmar o compromisso do Estado de Israel com a liberdade religiosa para todas as confissões.
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Fonte: Sapo





